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domingo, 27 de julho de 2014

Sobre ignorar seus conceitos


Quando estava no Peru, conheci um casal da Califórnia. Eles estavam na mesma van que a gente, voltando de Machu Picchu. Estávamos todos no último banco da van, aquele em que cabem quatro pessoas. Não falamos nada com eles, e a viagem estava indo bem...

Mas aí eles começaram a comer banana e a jogar a casca naquele espaço atrás do banco, um pseudo porta malas. Olhei pro Thiago e pensei "não acredito que eles tão fazendo isso". A gente já tinha visto muito gringo nessa viagem fazendo coisas que, normalmente, não fariam se estivessem no país deles, mas já que era Latin America, abriam uma delicada excessão. Por isso a chatiação. Bom, passou mais um tempo, o cara me pediu:

"Puedes abrir la ventana por favorrrrr?", com um baita sotaque, daqueles que não deixam dúvida quanto a nacionalidade da pessoa. Abri a ventana.
Fizemos uma parada no meio da estrada para comer e, enquanto isso, o motorista foi tirar algumas coisas do porta malas.. dentre as quais, as cascas de banana.
Voltamos para o carro. O gringo, depois de um tempo, viu que o Thiago segurava um livro em inglês e falou: 

"ah, sabes hablar ingles?"
"yes"

daqui para frente a conversa continuou em inglês:

"ah, pensei que vocês só falassem espanhol"
"não, na verdade a gente nem fala espanhol"
"ah... tá... desculpa"

Depois de uns segundos nessa situação desconfortável, o Thiago disse que éramos brasileiros e que, portanto, falávamos português. Conversa vai, conversa vem.. se passaram mais umas 5 horas de viagem, e não é que os dois eram super legais?

Combinamos de sair com eles na noite seguinte, em Cusco, para jogar bilhar e beber. Eles disseram que no hostel deles tinha um espaço legal e que era tranquilo levar gente lá, então deixamos certo. No dia seguinte, ainda nos recepcionaram com cuba libre e várias histórias super legais.

Nos contaram a história de cada um e de como o cara tinha ido para uma clínica de reabilitação quando os pais dele descobriram que ele fumava maconha, com uns 18 anos (hahaha). A menina disse que era, na realidade, mexicana, mas que foi para os EUA com dois anos de idade. Ele complementava dizendo que, pela nacionalidade da família dela, ele adorava as festas que eles davam - até a vó da menina gostava de encher o caneco (do jeito que deve ser!). Em compensação, a sogra dela só tomava uma cervejinha e já ficava toda alegre (e no dia seguinte negava tudo). Falaram do último presente de aniversário que ele ganhou, um kit para fazer sua própria cerveja, e de como os lotes ficavam muito bons - às vezes. Explicaram que os estados entre a costa oeste e leste dos Estados Unidos têm o apelido carinhoso de fly-over states, because there's nothing there to be seen. Contaram que um dos países em que passariam durante o mochilão de três meses deles, era o Braisl. Rio de Janeiro, São Paulo e carnaval de Salvador. Estava bom. Na realidade, estava ótimo. Combinamos até uma road trip pelos Estados Unidos. Entre toda a conversa, continuaram nos dando cuba libre, de acordo com a preferência de cada um: mais gelo, menos coca, mais rum... 

Subimos, jogamos bilhar, o time das meninas perdeu duas partidas. Coitada dela, que teve que jogar comigo - que adoro jogar, e mais ainda perder no bilhar. Decidimos sair para jantar depois dos jogos porque ninguém tinha comido nada ainda. Fomos descendo aquelas ruas de pedra de Cusco, enquanto o nosso anfitrião ia vomitando pelo caminho, dizendo que não era acostumado a beber tanto e coisa e tal...


domingo, 16 de março de 2014

Machu Picchu a pé: a verdade, parte 2

Continuando o post sobre Machu Picchu.... (caso não tenha lido a parte 1, clique aqui)

Começamos a subida dos degraus às 4h30, com tudo ainda bem escuro e chovendo bastante. Dava para sentir o ar rarefeito, e a cada lance de degraus, precisava parar, tomar água e respirar para ter condições de subir. Mas sejamos francos: apesar da altitude, admito, se fosse numa altitude com a qual eu já estivesse acostumada, teria cansado do mesmo jeito, ehehe

Sobe, sobe, sobe... água, água, água... e depois de uma hora e meia, mais ou menos, chegamos na entrada de Machu Picchu! O problema é que subir até os 2.430m de altura fez a gente sentir muito calor, então fui abrindo a blusa - que era impermeável. Isso fez com que minha camiseta e calça ficassem encharcadas. Quando a gente parou de andar, e já estava dentro de Machu Picchu, o corpo esfriou e aquela sensação ruim foi aumentando. Por sorte, a gente estava com a mochila com as roupas que tínhamos usado no dia anterior. Elas estavam sujas, mas secas. Porque eu estava pensando em todos os momentos embaixo de uma coberta quentinha, e por mais que o guia estivesse bem na minha frente, a voz dele era mais uma lembrança distante "daquele dia que passei frio demais". Em resumo, essa era minha expressão de #chateada

macchu picchu

macchu picchu



Mas eu juro que depois que eu troquei de roupa fiquei com uma cara melhor! Engraçado é que todo mundo se troca lá no meio da galera mesmo, porque ninguém chega intacto. Claro, dos que sobem os degraus. Se você quiser, dá para subir de ônibus, que custa cerca de 18 dólares também e você compra na hora, não precisa reservar. Porém, quando estávamos lá, esse ônibus só começava a subir a partir das 9h30, por conta das chuvas e alguns deslizamentos que tinham acontecido. Então ficava muito apertado em termos de horário. O bom é que quando era tipo seis e meia, estávamos já fazendo o tour.

Lá em cima tava aquela chuvinha chata ainda, então o Thiago perguntou para o guia:

- Vai chover muito ainda? O que você acha?
- O dia inteiro.

Ah, que bom...

macchu picchu
Mas parou depois de uns quarenta minutos que estávamos lá, hehehe. O engraçado é que o tempo vai mudando muito rápido. Em cinco minutos o tempo fecha, aí bate um vento, abre de novo. Claro que isso sempre acontece, mas é que àquela altura, as nuvens estavam muito pertinho, então ficava mais impressionante, igual tá aqui no vídeo:


Depois que eu estava seca, foi só alegria e tirar foto, ver o que o guia tava dizendo e afins. Me surpreendi com ele dizendo que 80% do que está ali é original! E que mesmo coisas que foram restauradas, não necessariamente foram reconstruídas, as vezes era "só" colocar uma pedra no lugar, segundo ele. Apesar dessa informação que ele deu, já vi outros dados dizendo que apenas 30% do que está lá é original, e outros números diferentes. Palpites?

macchu picchu 
Quando estávamos lá compramos o livro "Lost City of the Incas", escrito por Hiram Bingham, o cara que meio "sem querer querendo" descobriu Machu Picchu, em 1911. 

macchu picchu
"Onde você trabalha?" "Em Machu Picchu, de boa" 

macchu picchu
"Qual sua profissão?" "Sou restaurador... de Machu Picchu"... hahaha, sério!

macchu picchu
aguas calientesaguas calientes
Começamos a descida de MP por volta das 10h30, mas esse trecho fizemos de ônibus, custou 18 dólares a descida. Caso não quiséssemos ir de ônibus, era só descer o um milhão de degraus que subimos. Chegando em Águas Calientes de volta, aproveitamos e fomos no Mercado que tem na cidade. Ele fica do outro lado do rio em que está o centro da cidade. Estava super vazio, então demos uma voltinha.

 E aqui o trem que pegamos para chegar até a hidrelétrica, onde pegamos a van para voltar a Cusco.


 Seis horas depois.... esta era eu, no Ecopackers de Cusco, feliz com minha Cusqueña:







Achei o passeio muito legal, apesar do maior cansaço de fazer esse rolê todo! Tudo o que fizemos andando, poderíamos ter feito com algum tipo de transporte, mas valeu a pena ter subido andando, pelo menos uma vez. Fiquei com vontade de fazer a trilha que sai de Cusco e vai caminhando até Machu Picchu. Ah, e também não tivemos tempo de conhecer Wayna Picchu, que está bem em frente à MP. Essa não dava tempo... mas fica para a próxima! Alguém já conheceu?

Bjos! 

Machu Picchu a pé: a verdade, parte 1

Machu Picchu é muito legal. Mas não pense que para chegar lá é simples. Começamos a procurar pacotes para lá quando estávamos em Arequipa, com a ajuda do David. O preço era bem mais alto do que esperávamos: cada um pagou 120 dólares pelo pacote, que incluía:

- Van de Cusco até a hidrelétrica próxima à Águas Calientes;
- Jantar em Águas Calientes;
- Noite em hostel;
- Entrada em Machu Picchu (ticket) (geralmente você tem que comprar com alguns dias de antecedência, porque o máximo de visitantes permitidos por dia em MP são 2500. Reserve aqui);
- Guia dentro de Machu Picchu;
- Volta de Àguas Calientes até a hidrelétrica de trem;
- Van da hidrelétrica até Cusco.











Isso tudo em dois dias. A verdade é que foi legal e aproveitamos bastante, mas tudo o que não era feito com transporte foi bastante cansativo de fazer andando. Como por exemplo, a ida da hidrelétrica até Águas Calientes, que é o "pueblo" de Machu Picchu. São 11 quilômetros de caminhada feitos ao lado da linha do trem. Se você preferir, pode pegar esse trem, que custa 18 dólares e faz o mesmo percurso em cerca de uma hora. 







Nós fomos andando porque um casal que tínhamos conhecido em Sucre, na Bolívia, falou que "o percurso andando é imperdível, a parte mais bonita do caminho... fazer isso de trem é perder metade do passeio". Sério, maior cagada ter escutado esse conselho. Caminhamos por cerca de três horas para chegar a Águas Calientes e quando o trem passou por nós, só me senti muito besta por não ter comprado o ingresso e ir nele. Apesar do caminho ser bonito e você ir tirando fotos ao longo dele, você só quer fazer isso pelos primeiros quarenta minutos, hahaha... depois eu só ficava torcendo para chegar logo... queria tomar um banho, dar uma cochilada.



Ah, eu tinha a impressão que Cusco ficava pertinho de Machu Picchu, mas na verdade, são cerca de seis horas de carro! É bem longe. Tem gente que faz uma trilha andando desde Cusco até Machu Picchu e chega lá em cerca de três dias!

Mas quando chegamos em Águas Calientes, encontramos o grupo que estava com a gente na van lá na praça principal. É uma vila bem bonitinha, charmosa e o som do rio é beeem alto... e como ele corta a cidade, você vai ouvir o som das águas a maior parte do tempo em que estiver por ali. Detalhe: esse é o  rio Amazonas! Ao nascer na cordilheira do Peru, recebe o nome de Apurimac. Quando ele chega em Aguas Calientes, se junta ao rio Urubamba, e vira então o Ucayalli, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (que só passa a se chamar assim quando entra em Manaus).











O legal é que quando fechamos o pacote, não tínhamos certeza de qual era o tipo de quarto em que ficaríamos. Mas pensei que seria um quarto compartilhado, porque era o pacote mais barato de todos. Quando o guia nos encontrou, pediu que somente eu e o Thiago o acompanhássemos até um hostel X, bem na beira da linha do trem. Entramos e ele pediu na recepção uma chave para um quarto duplo! Duplo! Duplo! Não acreditávamos. Depois que encontramos, realmente! O quarto era para duas pessoas e ainda tinha um banheiro dentro!!! E o mais legal: ele era virado para o rio, que dava para ver e ouvir super bem de lá de dentro. Ok, ver nem tanto, mas mesmo assim, bem massa e melhor do que o esperado! Tranquei a porta logo, esperando que talvez alguém pudesse voltar dizendo que nós estávamos em um quarto errado, que havia sido reservado para alguém que pagou por ele. Minha estratégia: "Vamo ficar bem quieto se alguém aparecer aqui!!! Fingimos que já dormimos!!!".

Depois disso foi mais tranquilo: tomamos banho, comemos, dormimos. O guia avisou que a gente deveria estar no ponto de encontro no dia seguinte às 4 horas da manhã, para às 4:30 estarmos na entrada do portão da subida para Machu Picchu. Estava chovendo, então a gente já saiu com roupa impermeável e vestindo capa de chuva. Mas por que tão cedo? Simplesmente porque nossa van voltaria da hidrelétrica às 14h, e nosso trem saía de Águas Calientes às 12h30.

Esse foi o primeiro dia da viagem. O segundo dia da viagem, conto no post a seguir ;) 

terça-feira, 11 de março de 2014

Brasileiro em Lima também é gringo

Sempre penso em fazer um roteiro  para uma viagem, mas não me prendo totalmente a ele. Se um lugar já deu o que tinha que dar, vou para o próximo; se sinto vontade de ficar mais, prolongo a estadia. 

Quando voltamos de Machupicchu, ficamos no Ecopackers de Cusco. E, sabe, depois de dois dias muito cansativos, o lugar parecia tão aconchegante, o bar parecia tão propício, e nós só teríamos aquela noite no hostel - que é melhor que muito hotel por aí, diga-se de passagem. Iríamos para Lima no dia seguinte à tarde, onde passaríamos uma noite e depois embarcaríamos de volta para o Brasil. 

Desfizemos os planos e decidimos ficar mais uma noite em Cusco e só ir para Lima no dia da nossa volta, então ao invés de viajarmos na quinta à tarde, fomos na sexta. Contei a história do ônibus que pegamos aqui

Chegamos em Lima ao meio dia. Nosso vôo era só às 21h. Decidimos ir à praia e ficar em alguma barraca enquanto não dava a hora de ir para o aeroporto. Primeira cilada: do terminal de ônibus, todos os taxistas diziam que levava uns 20 minutos até a praia e por isso teríamos que pagar X. Como não conhecíamos e era o último dia de viagem, fomos sem muita resistência. Cinco minutos depois, praia. Cinco. 

Chegamos na praia e, bem, não vou dizer que ficamos com os pés na areia. Ficamos em uma parte mais longe, em uns quiosques. Eu, o Thiago e duas mochilas enormes. Todo mundo olhava e sabia que éramos turistas, mas até aí, tudo bem. Era o último dia da nossa viagem, não sofremos nenhum golpe nessas duas semanas, não perdemos nada e ainda tínhamos encontrado essa porção de peixe frito que estava M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A: 

Como eu não queria mais ter que sacar dinheiro até chegarmos no Brasil, estava controlando quanto a conta daria para não faltar dinheiro para chegar ao aeroporto. Já tinham nos avisado que de onde estávamos, seria pelo menos uns 50 soles até lá.

Cada porção de peixe custava 38 soles. Cada cerveja, 7. SETE. Consumimos duas porções e quatro cervejas, então o dinheiro que restava deveria ser suficiente para ir embora. Mas na hora que a conta chegou, eu estava tirando fotos do lugar, e o Thiago não tinha reparado no preço das coisas no cardápio. Quando cheguei, ele já tinha pago e eu pedi para ver a descrição na notinha. Lá, cada cerveja estava por 10 Soles, e eu tinha certeza que tinha visto por 7 antes. Antes, e não depois! O que significa que não era o efeito dos meus copos!

Chamei a garçonete e ela ficou dizendo que "no querida, el precio es este". Vai, não vai, pedimos o cardápio de novo. Passados cinco minutos, me aparece a mulher com o mesmo cardápio, que era impresso, com um dez FEITO À CANETA onde antes estava apenas "7". 

MAS É MUITA CARA DE PAU. 

O Thiago foi e disse que aquele cardápio estava rabiscado e que queríamos outro. Ela começou a dizer que aquele era o único cardápio do bar. Seria, caso bem atrás dela não tivesse outro, intocado. Ali o preço estava 7 soles por cada garrafa de cerveja. Ela devolveu 10 soles e pediu desculpas. O Thiago voltou e a gente percebeu que na verdade ela deveria ter devolvido 12. Pedimos os dois que faltavam e ela pagou, dizendo, tão simpática, algo para que nos protegêssemos: 

"- Viu, toma cuidado que aqui em Lima é perigoso para turistas. As pessoas vão tentar te roubar." 

Sério? Nem tinha percebido. 

A gente poderia ter ido embora sem os 12 soles? Sim. Ia fazer uma puta falta? Não. Mas ah, coisa chata isso de te verem com uma mochila e já acharem que vai ser muito fácil te passar a perna, né? Só porque você está de passagem pelo lugar. Nosso brazilian backpacker proud não nos deixou ignorar isso, hehehe. 

Ps. Apesar da experiência e do pouquinho de tempo que ficamos em Lima, cerca de 5 horas, gostei da cidade e voltaria. Gente querendo ser esperta tem em todo lugar, então levo esse episódio como uma coisa cômica e não uma dor de cabeça. 

Remédios para o mochilão

Oi gente!

Antes de ir viajar fiz uma malinha de primeiros socorros para quando estivesse fora. Por mais que seja bom viajar com um seguro para caso você precise ir a um médico, levar alguns remédios é indispensável, já que no meio do deserto na Bolívia, por exemplo, seu plano não vai adiantar de nada, já que também não tem médico por lá.
































O que eu levei:

- Sucrafilm Sucrafalto 2g/10ml: remédio para azia e mal-estar estomacal;
- Fágico Bromoprida 4mg/ml: remédio para ânsia e vômito. Não sei  até agora como não precisei, depois de ficar tanto tempo dentro de uma van subindo e descendo serra hahaha;
- Dipirona Sódica 500mg/ml: remédio para dor de cabeça;
- Diasec 2mg: remédio para diarreia. Porque às vezes é bom ter medo do destino, né.

Eu tinha todos esses remédios em casa, então não precisei me preocupar com uma receita. Mas caso não tivesse, iria em um Clínico Geral e explicaria que ia viajar e que precisava de X e X remédio por isso. Acho que vale. Alguém já tentou?

Mas na Bolívia encontramos um outro remédio que era especificamente para o "mal de altitude" que muitas pessoas sofrem. Eu senti um pouquinho, mas bem de leve. Geralmente quando acordava, sentia minha cabeça um pouco mais pesada, como se tivesse ficando gripada, sabe? Mas aí era só tomar uma pílula de Soroche que passava!

Tanto na Bolívia quanto no Peru você encontra "Soroche pills" ou "Sorojchi Pills" em qualquer farmácia. Cada cápsula contem Ácido Acetilsalicílico 325mg + Salofeno 160mg + Cafeína 15mg. Lembro que uma cartela custava cerca de 30 bolivianos. E acho que vale bastante a pena, considerando que o efeito deles é muito rápido e realmente funciona.



Lembrando que eu não tive nada muito arrebatador, só essas dorzinhas de cabeça e, para isso, especificamente, ele funcionou muito bem. Um outro amigo nosso que foi no tour do Salar do Uyuni passou muito mal e para o mal de altitude que ele sentiu não teve Soroche ou chá de coca que desse jeito. A única solução foi inalação e baixar de altitude.

Além disso, uma das pessoas que estava com a gente no tour do Uyuni disse ter tomado um remédio para aumentar o número de glóbulos vermelhos. Isso faz com que mais oxigênio seja transportado pelo sangue, logo, diminuem as chances de você sofrer falta de ar e afins quando estiver em grandes altitudes. Para isso, dá para tomar o Citoneurin 5000, um composto de vitamina B1 + B6 + vitamina B12. Eu nunca tomei, mas encontrei essa recomendação em um fórum de escaladores, aqui. 

Detalhe: ir para a Bolívia exige que você tome uma vacina de febre amarela. O Peru e a Bolívia não exigem seguro-viagem para que você entre lá, mas eu recomendo fortemente que você tenha antes de desembarcar em qualquer lugar fora do Brasil. Esqueci de fazer o seguro e de tomar a vacina. Consequência: fiquei comemorando a viagem inteira que nada me aconteceu e que também não exigiram que eu mostrasse a carteirinha de vacinação!!! hihi não faça isso

Bjo!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Indo a la mierda em Arequipa - e para outros lugares também

Chegamos em Arequipa às 22h depois de passar absolutamente o dia inteiro no ônibus. Saímos de La Paz, na Bolívia, às 7h30 da manhã, paramos no Lago Titicaca e depois em Copacabana. De lá, pegamos mais um ônibus, às 13h30. Atravessamos a fronteira entre a Bolívia e o Peru a pé e um pouco depois paramos em Puno, para trocar de ônibus. Quando já estávamos em Arequipa, o ônibus quase chegando na rodoviária, quebrou. Continuamos a pé. Chegando na rodoviária, deveríamos encontrar o David, mas nosso ônibus estava atrasado há mais de uma hora... e não encontrávamos nosso host. Conseguimos ligar e ele pediu que fossemos até o centro da cidade para encontrá-lo. De lá fomos para a casa dele, trocar de roupa para cumprir nosso único objetivo do dia: ficar bêbados.

Sim, viajar é legal, é lindo. Mas depois de uma semana viajando, queríamos ficar pelo menos uma noite de boa, bebendo e tal. O David se encarregou de arrumar nosso roteiro, que foi esse aqui ó:

Por esse mapa dá para ter ideia de como é a vida noturna em Arequipa! É bar que não acaba mais e muita gente pela rua
Primeiro fomos na "Casona Forum", na Calle San Francisco. Era uma balada com vários ambientes, muito bonito o lugar! Música latina mas também toca música eletrônica. Tinha umas cascatas no meio da pista de dança, todo mundo bem animado. Deu pra ver que lá, diferente daqui, várias pessoas dançam em casal no meio da balada. A chapelaria era grátis (nice!) Tomamos umas cervejas e fomos para o próximo bar (não sem antes encostar em uma barraquinha de 'perro caliente' para matar a fome, hehehe).

A segunda e gloriosa parada foi no Split Bar! O bar fica na Calle Zela, de frente para a Pç. San Francisco. Ele tem duas portinhas e fica dividido em dois andares. De fora, quase não dá para perceber, mas ao entrar você já ouve a música e a vibe do lugar. Fomos lá por conta de um drink em especial, o A LA MIERDA. Fomos corrigidos pelos peruanos - nessa altura estávamos eu, Thiago e mais três peruanos, amigos do David - quando dissemos 'la mierda', "El Correcto es A LA MIERDA" "Está bien, está bien".


peru arequipa split bar

peru arequipa split bar






Como deu para ver, o cardápio não revela o que o drink leva. Mas a cúpula peruana que nos acompanhava disse que ali tinha pisco, rum, vodka, licor de anis e suco de granadilla (maracujá). Aí depois disso é só você botar fogo e esperar pelo melhor. Sério, uma bebida desafiadora, como eu imagino que várias desse bar sejam. Por um pouco de cautela, bebemos "só" esse a la mierda, esperamos que todos estivessem recuperados e fomos para o próximo bar.

O "Qochamama Bar" (calle Ugarte, 300) foi o bar que eu mais gostei! A gente chegou lá quase duas da manhã e não queriam nos deixar entrar. Chora daqui, chora dali, liberaram! Fomos para uma parte superior do bar, tipo um chalezinho! Nem era tão exótico, mas nunca vi nada parecido por aqui, então achei bem legal! Tocava bastante música peruana que dava para dançar de par, meio salsa, bastante animado!

Daí que começou a tocar uma música que eles disseram: AQUI, ESSA FALA DO BRASIL! O cantor é o Pedro Suarez, peruano. A música se chama "Me resfrié en Brasil" e achei engraçadinha. Lá ela é bem popular, porque todo mundo cantou junto, hahaha


E assim foi a primeira noite em Arequipa. Arrisco dizer que foi a melhor da viagem toda!
Obrigada ao David e aos amigos que foram exímios guias para mostrar el mejor de la noche arequipeña! <3

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Subindo na escala social pela gastronomia "Peru Sabe: La Cocina, Arma Social!"

Quando estávamos em Arequipa, por termos ficado na casa do David, que é peruano, conseguimos entender bem o espírito dos peruanos no quesito comida. Eles têm uma diversidade tão grande de alimentos e valorizam muito isso. Sem contar que as refeições são muito fartas. No meio disso, o David comentou com a gente que faz alguns anos começou esse movimento de “amamos a gastronomia peruana” dentro do país, e que um dos responsáveis por isso era o Gastón Acurio - o Alex Atala do Peru, se me permitem, hehehe

Fuçando em uns filmes, vi que o próprio Gastón fez um documentário junto com o chef espanhol Ferran Adrià, “Perú Sabe: La cocina, arma social!”,  justamente sobre como a gastronomia está funcionando como um agente de inclusão e transformação social para pessoas que não tinham muitas alternativas na vida. Eles falam diversas vezes que hoje o sonho de um jovem não é ser jogador de futebol ou atriz, mas ser um chef. 

Uma parte do documentário foi gravada em Machupicchu, já que eles também tratam da cultura inca. Além disso, o filme mostra casos em que algumas famílias resolveram - por força maior ou não - mudar de área profissional, e escolheram trabalhar com o cultivo de alimentos orgânicos, ou que começaram o plantio de cacau como alternativa à plantação de coca, por exemplo. Ah, e o Atala também tá lá :D 

Eles visitam a Pachacútec, que é uma escola de gastronomia sob direção do Gastón. Ele explica que o curso tem duração de três anos, mas que o primeiro é como se fosse uma reconstrução da vida dos estudantes que, em geral, tiveram uma história bem difícil até aquele momento. 

"Hay que verlo porque es un sopro de otimismo!" - Ferran Adriá 
Clicando aqui dá para assistir online ou fazer o download do documentário :) 





“Sabes lo que tenes y sabes como hacerlo” é a frase que o Adrià usa para dizer o porquê das coisas estarem indo bem no  Peru. Tipo, com um bom solo e sabendo o que a região em que a pessoa mora pode oferecer, dá para saber o que é possível produzir ali e como fazer isso. Eu sei que cada país é um país, mas acho impressionante que aqui no Brasil a gente esteja acostumado a sempre comer o mesmo tipo de milho, o mesmo tipo de batata, o mesmo tipo de arroz... sendo que ali no Peru é super normal você ir a um mercardão e encontrar essa variedade que encontramos no Mercado de San Pedro, em Cusco:






quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Viajando de ônibus pelo Peru

Andar de ônibus no Peru foi uma das partes mais relaxantes da viagem, eu devo admitir. Até porque, de todos os 17 dias da viagem, 3 nós passamos dentro de um ônibus, se contarmos todas as horas, conforme está aqui nesse infográfico abaixo:

Quando chegamos no Peru já tínhamos nos acostumado com ônibus quebrado, goteiras na cabeça, ônibus subindo em barranco... então quando o David nos disse que duas companhias de ônibus eram muito boas e que a gente não teria problemas, nem levamos tãão a sério.

Primeiro usamos a Oltursa para ir de Arequipa até Cusco. Pagamos 60 soles pela passagem, que incluía jantar, cobertinha e uma "comissária de bordo". A viagem levou cerca de 10 horas e, como fizemos de noite, chegamos até que bem descansados em Cusco.

Na segunda, como íamos de Cusco até Lima e seriam 20 horas (SIM, VINTE HORAS DE VIAGEM GENTE), e seria a última viagem, decidimos ostentar e ir com a Cruz del Sur. Pagamos 185 Soles pela passagem, cerca de R$ 160, mas foi o serviço mais vip que eu já vi na minha vida!!! O banco do ônibus era de couro, tinha WI-FI, carregador para celular/notebook (!!!!), televisão com filmes, música, desenhos (juro!), ar-condicionado, cobertinha, travesseiro, o banco reclinava o suficiente para você dormir tranquilo, eeee tínhamos direito a jantar e café da manhã!

Essa foi minha reação quando eu entrei no ônibus:

cruz del sur peru mochilão

















































Uma coisa legal dessa empresa é que eles têm o próprio terminal deles! Tipo, não utilizam a rodoviária. Você vai no terminal, que é bem similar a um aeroporto, só que bem menor, obviamente. Faz seu despacho de bagagens e fica esperando chamarem para o seu embarque. Tem até um segurança que faz a inspeção dos itens que você leva na bagagem de mão. Além disso, quando você vai comprar a passagem, te perguntam que prato você gostaria de jantar e se você é vegetariano. Essa foi a janta:

cruz de sur bus peru
A comida era saborosa mesmo, e ainda tinha sobremesa e cafezinho servido depois da refeição!



















Para o café da manhã, tivemos um danoninho, um pão com presunto OU queijo (achei isso estranho), uma barra de cereal e café. O único problema, para mim, é que o WI-FI não funcionou durante a viagem toda, apesar de ter funcionado durante boa parte. Ah, e a viagem levou 22 horas ao total, 2 a mais que o previsto. Mesmo assim, acho que vale muito a pena e recomendo o serviço!

Nunca viajei em um ônibus desse padrão no Brasil, então não sei comparar... mas quando precisei vir do Rio de Janeiro para Campinas, paguei uns R$ 90 na passagem e não tinha absolutamente nada no ônibus. E, tipo, foi uma viagem de umas 9 horas! Eu acho ok pagar bastante por um serviço quando você vai ter um retorno, né, porque aí não é caro, é justo. Mas é sacanagem ter que pagar caro, não ter  ao menos opção de empresas e receber um serviço bem meia-boca. Por isso deixo aqui a dica da Cruz del Sur e um suplício para que as empresas de ônibus brasileiras, se não puderem melhorar, que deixem as passagens a um preço equivalente ao do serviço oferecido.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Cevichopp em Arequipa, no Peru

Uma das coisas mais refrescantes que eu já provei até hoje foi o Cevichopp, lá em Arequipa, no Peru. O ceviche por si só já é bastante refrescante, eu sei. Mas acontece que servido dessa maneira, em uma caneca de chopp - só que sem chopp ou cerveja -, ele vem embebido em um “suco” de limão, que traz junto cebola roxo, pimenta, coentro e outros temperos. A sensação é a de “nossa, tô bebendo o verão!”, sério! Muito refrescante.

cevichop peru O David é um peruano muito simpático que, por já ter morado em Campinas e conhecer o Thiago, meu namorado, nos hospedou na casa dele e nos levou para comer, comer, comer e beber, beber e beber. Além de explicar a dinâmica ali de Arequipa em relação ao resto do Peru, ele disse que, para ele, esse lugar onde provamos o cevichopp, o Capitán Pezdiablo, é o melhor da cidade! Ah, e apesar de ser uma baita caneca, ele falou que isso é como um aperitivo, antes do ceviche (ou outro prato) propriamente falando. 



cerveja pilsen peru ceviche cebiche milho Uma das coisas engraçadas sobre o cevichopp é que conforme você vai comendo, sente o apimentado, mas é sutil. E aí você continua comendo, ele vai ficando mais forte, forte... mas é tão bom que não dá para parar!  Eu e o Thiago pedimos o tradicional, e o David pediu o que é ainda mais apimentado do que o comum, com ají amarelo, uma pimenta que não é vendida in natura no Brasil, mas pode ser encontrada em conserva ou em pó em lojas especializadas em produtos peruanos. Para acompanhar, uma Pilsen para cada um! Além de chamá-las por "cerveza", no Peru você pode usar o termo "chela" para perdir uma breja. Junto com elas, na maioria dos bares, vêm coisas para beliscar. No Capitán Pezdiablo, vem cachita. Um tipo de milho frito temperado com huacatay, uma erva que também é usada para o tempero do ceviche. SALUD! Alguém mais já provou o cevichopp ou conhece algum lugar no Brasil que faça essa maravilha? 

petisco canchita
Capitán Pezdiablo
Calle Ricardo Palma, 602
Arequipa 
Peru 
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