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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

5 razões para fazer uma viagem com suas melhores amigas

No dia da minha primeira aula na Ecela Spanish School, na Argentina, eu estava sentada em uma das mesinhas da escola quando, uma moça veio e perguntou se podia se sentar na outra cadeira. Começamos a conversar e ela me contou que era havaiana, divorciada, surfava, já tinha viajado o mundo todo e ainda me apresentou ao Couch Surfing. No meio dessa conversa, lembro dela ter me dito: 

"Já fui casada, viajei muito com meu ex-marido, mas... nada se compara às viagens que fiz com as minhas amigas! As duas coisas são boas, mas viajar com as amigas é muito diferente e inesquecível!"

Fiquei com isso na cabeça por muito, muito tempo!

Cinco meses depois, embarquei para o meu intercâmbio em Porto, Portugal, onde passaria um ano. Falei para minhas amigas que seria o máximo se desse para elas me visitarem durante esse tempo, mas você sabe, Portugal é longe, euro é caro... isso nem era bem uma possibilidade. Me conformei com isso, e esqueci. Até o dia em que a Fernanda, dando uma de desentendida, me perguntou: "em julho, faz calor ou frio em Portugal?". Como isso foi um post no meu mural do facebook, antes mesmo que eu respondesse, a Natasha foi e comentou "Como você não sabe que lá é sempre o oposto daqui?". Sem mais nem menos, pulando todas as cerimônias e investigações, a Fernanda revela que o motivo da pergunta era porque, julho, justamente, era o mês que ela pensava em me visitar! WHATTTTTT? Que jeito bom de começar a semana, pensei! Enquanto isso, a mesma Natasha se mudava para a Alemanha para fazer um intercâmbio, então também surgia uma possibilidade de ter mais uma amiga por perto. A cereja no topo do bolo foi quando uma terceira amiga, a Karina, deu a louca e decidiu que também ia me visitar na terrinha. IS THIS REAL LIFE? Quase não podia acreditar! A data que ficava melhor para todo mundo era no começo de julho, nas minhas últimas duas semanas de intercâmbio. Ou seja, p-e-r-f-e-i-t-o, já que eu já estaria de férias da faculdade e ainda poderia contar com as malas delas para trazer minha bugigangas de volta de Portugal! hahahaha

Elas chegaram em Porto, depois de três dias fomos para Dublin, na Irlanda. Passamos uns três dias na cidade, voltamos para o Porto, fomos para Lisboa num festival de música e, por fim, voltamos para o Porto para pegarmos o vôo de volta para o Brasil.

Algum tempo depois dessa viagem, que aconteceu em 2012, listo aqui algumas razões que me fazem acreditar que todo mundo deveria fazer uma viagem com as (os) melhores amigas (os)!


1 - Essas pessoas serão a ponte entre o mundo-perfeito-das-viagens e o mundo real


Uma das razões para as pessoas mais terem a famosa depressão pós-intercâmbio é porque quando elas voltam à realidade do dia a dia, ninguém do convívio diário sabe como era caminhar pela cidade onde ela morou, não entende as piadas que ela fez pelos últimos doze meses, não sabe quem foram seus amigos lá. E o problema é que também a maioria das pessoas não quer saber sobre isso. Claro que não é à toa que elas perguntam o famoso "como foi?". De fato, se preocupam e querem escutar um "nossa... foi demais!". Mas that's pretty much it. E eu entendo. 

Mas acontece que TUDO ao que você se refere faz parte do último ano da sua vida e é super chato que ninguém entenda do que você tá falando (e que você tenha que explicar tudo para todo mundo). A parte boa, é que quando você tem amigas que viajaram com você para o intercâmbio, ou te visitaram durante esse tempo, elas entendem do que esse universo se trata. E, assim como você, voltam para casa cheias de histórias para contar e SABEM quem é cada pessoa com quem você conviveu, os lugares onde cada história aconteceu e, possivelmente, são as únicas pessoas que irão entender o porquê de, por um tempo, nada parecer tão legal na sua vida - além, é claro, dos amigos que você fez durante essa viagem. 

Prova disso é essa foto: meu lugar preferido para beber em Porto, a Adega Leonor! Que saudades das noites aí! Fiquei amiga de todo mundo que trabalhava lá e, ainda bem que minhas amigas de Campinas conheceram esse lugar SENSACIONAL - que deixa todo mundo louco para voltar para o Porto...

Adega, Porto, Portugal
viagem com as amigas mochilão
Pessoal X lá atrás! hahah mais uma das histórias que ficam...
viagem com as amigas mochilão
Nossa primeira cerveja quando chegamos em Dublin, na Irlanda


























2- Eudaimonia 

2 - Eudaimonia


Sejamos francos: as pessoas fazem o lugar. Sempre é assim. De repente, estava nas últimas semanas do meu intercâmbio - que já tinha sido incrível, com minhas amigas da faculdade do Brasil, as amigas que tinha feito lá no Porto (e que eram de todo lado do Brasil), em um festival de música com bandas que eu absolutamente adorava, em Lisboa. Ufa! 

Entre uma cerveja e outra, parei e fiquei olhando o cenário todo: era a hora do pôr do sol, minhas amigas de Campinas estavam se dando super bem com as do intercâmbio e quem estava no palco àquela hora era Noah and the Whale, uma das bandas que eu mais gostava na época. What a feeling. 

Pensei: é isso, tá tudo aqui. 

Ainda mandei uma mensagem para o meu irmão falando que seria demais se ele também pudesse estar lá, porque, afinal de contas, era mesmo sensacional!

Na época eu não sabia, mas bastante tempo depois fui saber que o nome desse sentimento é "eudaimonia". Engraçado que eu não conhecia essa palavra, mas sabia muito bem qual era seu significado: a felicidade. Os gregos usavam essa nomenclatura para denominar os momentos que "se encerram em si mesmos, são fontes de prazer imediata". Ou seja, tudo aquilo que faz você pensar "eu não quero que esse momento acabe".

No meu caso, foi nesse momento que deu esse "click!", mas eu acho que a viagem como um todo seria equivalente a isso. E acho que muita gente pode se relacionar com isso também, afinal, quantas vezes escutamos alguém dizendo "não queria mais voltar, queria ficar lá para sempre..."?

Mumford And sons optimus alive
Mumford & Sons <3 no Optimus Alive

optimus alive













optimus alive






3 - Pessoas confiáveis vão te lembrar daquilo que você esqueceu sobre a noite passada


As pessoas vão te lembrar que você decidiu apostar corrida numa ladeira, depois de ter ido em duas festas, e aí você caiu, e por isso não consegue andar direito no dia seguinte. Mas isso é assunto para um oooutro post. 

Seis da manhã. Na frente da balada. Bem, a foto fala por ela mesma.

Villa Porto, portugal
Obs: acho que ninguém conseguia se lembrar de nada no dia seguinte...








4 - Você nunca se cansará de lembrar das histórias 

4 - Você passa a conhecer todas elas muito melhor 


Tem um ditado que diz que para conhecer alguém muito bem, principalmente antes de casar, o ideal é que você faça uma longa viagem com essa pessoa. Óbvio que não tem fórmula ideal para nada, mas viajando dá para ver, sobretudo, como as pessoas se saem (e você própria) em momentos de stress, mudanças de humor, cansaço, fome e até quando leva uma cuspida no meio da rua. Você também aprende sobre os hábitos das outras pessoas: que horas acordar, o que comem, o que não, começa a perceber pelo humor que a pessoa tá com fome e por aí vai. 

No caso dessa viagem, especificamente, foi bem engraçado: a Natasha tava numa de não beber, então ela sempre acordava mais cedo que a gente e fazia nosso café da manhã ( <33333 ); A Karina e a Fernanda (do jeito que ela contou aqui no post sobre Minnesota) não eram muito de comer, provar coisas diferentes. Então, eu e a Natasha sempre dividíamos os pratos e fazíamos a vez das descobertas gastronômicas; de noite, a Natasha e a Karina sempre tinham mais sono, então quem ficava para a balada, na maioria das vezes, era eu e a Fer... também por isso a gente tinha mais ressaca que o normal (acho). Eeeee por aí vai! 

viagem com as amigas mochilão

viagem com as amigas mochilão

5 - Ah, as fotos...


Viajar sozinho também é muito gostoso e tem seu mérito, mas é fato que é um outro tipo de viagem. Existem situações e situações e eu mesma gosto de poder fazer o roteiro que eu bem entender. Viajar com mais pessoas, mesmo que se trate de amigas, requer um esforço conjunto na hora de escolher onde comer, o que visitar, que horas ir dormir, que horas acordar... Complicações que não existem quando você decide viajar sozinha... Mas que graça tem uma viagem sem esse tipo de foto para ver depois? Falo do tipo de foto que só dai quando você está cercada por amigas (os) e gente que gosta demais.

viagem com as amigas mochilão

Dublin Irlanda

viagem com as amigas mochilão

viagem com as amigas mochilão

viagem com as amigas mochilão

viagem com as amigas mochilão

Porto caves de vinho
mochilão com as amigas
<3






zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzDepois dessa viagem, um dos objetivos da minha vida se tornou conseguir fazer uma viagem com as  amigas, no mínimo, uma vez por ano. Qual o seu, no quesito viagens??? 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A história (e o sabor) das alheiras de Mirandela

Lá em Portugal eu era bem fã de um prato que eles serviam de norte a sul do país. O nome da iguaria é "alheira de Mirandela". Uma das melhores coisas pra comer de ressaca, super prática, barata, rápida e saborosa!

Eu já tinha declarado meu amor pelas alheiras, quando, um dia na aula, um professor lá da Univ. Fernando Pessoa, sabendo da minha brasileiridade, disse "Você não conhece a história das alheiras, pois não?", e contou!

Aconteceu assim:

Lá no final do séc XV, na época da Inquisição, qualquer pessoa que não fosse judia teria em casa um pedaço de carne de porco sendo defumando, segundo meu professor, pendurada no teto, envelhecendo, como ainda é possível ver naqueles armazéns que existem pelo Porto. 

Mas, como judeus não comem carne de porco, era bem fácil identificá-los: bastava entrar e ver que não tinha resquício algum de qualquer suíno por lá. Aí, algum iluminado teve a ideia de fazer tipo uma linguiça com outras carnes, as de aves! Então, eles misturavam carne de galinha, coelho, perú ou pato com pão de trigo, para dar consistência. Depois disso, envolviam com tripa, do jeito que é feito até hoje.

Aí, quando tudo já estava temperado, era só deixar defumando. A aparência e o cheiro ficavam muito próximos às carnes suínas que os católicos tinham em casa, então pronto! A receita se popularizou até mesmo entre católicos, que por fim passaram a fazê-la com carne de porco. 

Hoje dá para comprar em qualquer mercado, bem barato, tipo 2 Euros. Para quem estiver em Portugal, vale a pena ficar atento quanto às feiras que acontecem durante o ano dedicadas ao prato. 

Para quem nunca experimentou e está aqui no Brasil, ou para quem, como eu, sente taaaanta vontade de comer alheiras, the good news é que eu encontrei elas aqui tanto em Campinas como em São Paulo. Antes o City Bar, campineiro, fazia. Mas da última vez que fui lá, o garçom me disse que eles tinham parado. Encontrei, então, o Juema Bar e Mercearia (R. Santos Dumond com a Cel. Quirino), que fica também no Cambuí e é comandado por um português, que como o seu Zé do City Bar, chegou no Brasil ainda bem jovem. Você pode tanto comer lá, frita, quanto levar crua e preparar em casa. Em São Paulo o melhor lugar que encontrei para compra-las foi o Mercado Municipal Paulistano mesmo, bem baratinha e vários boxes vendem - mesmo os que não são portugueses.  

Depois de adquirir sua alheira, você pode fazer de duas maneiras: frita no azeite, como a maioria dos restaurantes, ou do jeito mais gostoso, no forno! Ahahahaha deixe por uns 10, 15 minutos lá e proonto! Você vai saber que está no ponto quando aquele cheiro de felicidade começar a invadir sua casa, and that, my friends, é alheira! :B Só não esqueça de fazer uns furinhos nela com um garfo para ela não explodir dentro do forno #experienciapropria hahaha

enjoy












quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Você sai de Portugal, mas Portugal não sai de você!

portugal porto ribeira


Oi gente! 

Cara de pau chegar assim, né, como se nada tivesse acontecido... eu disse que só ia sair pra comprar cigarro e nunca mais voltei. Mas tudo bem, sei que vocês são fáceis e nem ficaram esperando por mim,   nem choraram a despedida e já foram ler outro blog... HA!

Bom, indo ao que interessa, vou parafrasear a Samantha em "Sex and the City, O Filme", que disse que quando a Carry tivesse uma coisa realmente engraçada do que rir, ela riria, para dizer que, agora que tenho uma coisa realmente legal e nova, volto a postar! 

Não que nada tenha acontecido em todo esse tempo, mas nada que cumprisse tanto a proposta desse blog. 

Ok, vou parar de enrolar e contar! Duas coisas: a primeira é que eu achei um buteco purtuguêx aqui em Campinas! Com alheira, ginjinha e um português também pra te atender. Adorei, principalmente depois da minha desilusão de tentar comprar alheira no City bar (lugar que se diz português) e não encontrar! Logo coloco mais detalhes sobre isso! E dessa vez não é mentira. 

A segunda novidade é que uma portuguesa vem ficar em casa por dois meses! Um amigo meu da AIESEC aqui de Campinas, sabendo bem da minha vontade de viajar, e também da minha receptividade com viajantes, me perguntou se eu não gostaria de abrigar uma tuga pelo período que ela passasse aqui. Bom, ainda sei pouco sobre ela e também como nem mesmo a pobre sabe que tenho esse blog e que faço dela informação nesse momento, vou me abster de dizer muito. Era só para contar a novidade e dizer que o blog está ativo novamente! Yeyyy 

Esperem por mimmmmmm :) 

Beijos! 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Viracopos e uma playlist para vinhos


musica vinha cascais
Lojica de vinhos de Cascais, cidade vizinha de Lisboa















Oi Pessoal!


Nesse fim de semana passado (12.10), fui a Joinville visitar a Mari, que era minha vizinha lá no Porto e que escreve aqui e aqui, ó.

Bom, o fim de semana foi lindo e super legal, conheci a cidade dela e também fomos para a Oktoberfest em Blumenau! Showwww (heeeeey sexy fridaaaaa)

Mas, na volta, aconteceu aquele "probleminha" em Viracopos, como a maioria deve saber... Com o aeroporto fechado, sem previsão de volta ao funcionamento normal, a solução foi voltar de ônibus, desde Joinville até Campinas.

O que, traduzido em números, significou passar por três estados, cerca de 700 km, e believe or not, 11 horas em um ônibus. Bom, mas como não tinha o privilégio de ficar lá, curtindo as cervejas do sul, tive que encarar essa "opção"

Vou poupar vocês daquela parte de como é legal viajar 11 horas em um ônibus, e em especial, da parte em que as pessoas CONTINUAM a insistir em usar o banheiro que tem lá e as piadas que vão surgindo pela viagem, né. No final do dia, já me sentia próxima de todos os companheiros de viagem, mesmo tendo sido apenas ouvinte.

Agora vamos ao que interessa. Como todos devem imaginar, eu estava bem zuada no fim do dia... cheguei em Campinas às seis da tarde, e tudo em que eu podia pensar, era em chegar em casa, tomar um banho e abrir um vinho pra ficar de boa, relaxaaaaando...

EEEEEEEEE

Isso me deu a ideia de compartilhar aqui minha playlist para ouvir bebendo vinho. Assim, beber com amigos ou de casal, é muito legal, mas, eu acho que essa bebida, em especial, merece seu momento de exclusividade. Pra pensar, descansar, ficar viajando... enfim, whatever you want!

 Lá vai:

itunes
Playlist de quase duas horas: dá tempo de beber uma garrafa aí, não é, não?




























Ah, e gente, não, não é coisa de gente depressiva, muito menos alcóolatra tomar umas taças alone, get over it. Faz muito bem para reflexão! Hahahah Já dizia Shakespeare:

text shakespeare quotes
Parede de uma loja de vinhos de Sintra, cidade próxima a Lisboa


terça-feira, 19 de junho de 2012

Petiscos do Mundo: Tremoço

Quem é que não gosta de tomar uma cervejinha/caipirinha/mojito/vinho e afins enquanto viaja? A bebida é sempre bem vinda e vale a pena experimentar em todos os lugares, claro! Mas todos sabemos que bastam uns golinhos para o apetite abrir.

Hoje vou falar do que se come em Portugal quando isso acontece. Apesar da farta produção de azeitonas, o que mais se vê como petisco em bares são os "tremoços". Eu não sabia, mas achei recentemente que no Brasil também comemos isso (sou uma frequentadora assídua e nunca ví, mas não duvido... alguém aí tem esse hábito?)

Então, ele é uma semente, que depois de cozida, é colocada em conserva, até que se perca o gosto amargo original. Depois disso, ele fica salgadinho, sem um gosto muito peculiar. A gente se diverte só pela maneira como tem que comê-lo, espremendo até o "recheio" sair de dentro da casca.

O resultado é esse aqui embaixo, ó:

foto de Giuliana Ananias Wolf
nhammmm













































+ E então, alguém já conhecia?

Beijos, Giu!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sobre Alemãs, Gordons e The Dubliners

"- Posso te contar a história de como meus pais se conheceram? É ótima!  
- Claro...
- Então, meu pai tinha uns 22 anos e resolveu ir fazer um mochilão pela Alemanha... Saiu da Irlanda e foi lá viajar. Uma das coisas que ele fazia para se manter era tocar em bares, tipo voz e violão, sabe? Aí ele tocava sempre num mesmo bar, em uma cidade que ele ficou mais tempo. Minha mãe, uma linda, linda, linda loura, com os cabelos compridos viu ele um dia tocando aquela música Peggy Gordon. Sabe quando você tá com as suas amigas e aí vê um cara e vocês começam a se cutucar olhando pra ele? Então, ela e as amigas começaram, tipo "Ai, olha alí, o cara da 'Peggy Gordon'"... Troca de olhares vai, troca de olhares vêm, eles começaram a se falar. Meu pai, sim, ele é genial. Porque depois de disso, ele começou a conversar com ela, com a irmã e os amigos delas que estavam junto. Não me pergunte como, mas meu pai levou todo mundo de volta para a casa da minha mãe, onde ela ainda morava com os pais, meus avós. O melhor é que no meio disso tudo, ele conseguiu deixar minha avó bêbada. 
- Wow! 
- É, eu disse, ele é genial. Depois de um ano de namoro, eles se casaram, e depois de mais um ano, tiveram meu irmão. Eu fui acidente, nasci só oito anos mais tarde. E aí eles me colocaram o nome de Gordon, como a música, que foi a razão de eles terem se conhecido."


" - Can I tell you the story of how my parents met each other? It's a great one! 
- Sure... 
- So, my father was around 22 years old when he decided to become a backpacker around Germany... He left Ireland and started his trip. One of the things he would do to pay his travlling was to sing and play at some bars, like only his voice and the guitar, you know? So, when he stayed in a city for a bit longer than the usual, he started to play at this bar. My mother, a beautiful, beautiful blond girl, with a very long hair, one day happened to see him playing that song Peggy Gordon. You know when you have your frineds and you see some guy, and because of that you all start kind of pushing each other very softly? So, my mother and her friends started doing it, like "Oh look, the guy from 'Peggy Gordon'"... After some "exchanging glances", the two of them started to talk. My father, he's a genius. 'Cause after that, he was talking to her, to her sister and all the other friends together. Don't ask me how, but he managed to take everyone back to my mother's house, where she would still be living with my grandparents. In the middle of it, I don't know how, he got my grandmother drunk. 
- Wow! 
- Yeah, like I said, he's a genius. After dating for one year, they got married, and one after one more year, they had my brother. I was an accident, I was born only 8 years lates. And when it happened, they gave me the name "Gordon", because of the song that was the reason for them to meet."

*

Ontem, estava eu no Ryan's Irish Pub, aqui em Porto, quando o mais inesperado aconteceu: um irlandês veio falar comigo e com a minha mãe! Ele contou que veio pra cá passar uma semana para comemorar que a Irlanda, depois de 10 anos, voltou a participar de um grande campeonato - a Copa Europa, no caso :)

Aí, que em algum momento da noite ele resolveu contar essa história de como os pais dele se conheceram (coisas que só a cerveja explica), eu fiquei um pouco curiosa e fui procurar a respeito da música. Bom, a versão original é do grupo canadense The Corrs, lá de 1950. A música foi regravada e reinterpretada many, many times.

Yesterday, I was at Ryan's Irish Pub, here in Porto, when the most unexpected thing happened to me: an irish guy came talk to me and my mother! He told us he had came here to spend a week, celebrating that Ireland, after 10 years, was back playing in an important tournament - Euro Copa :) 

So, at some point of the conversation he decided to tell the story of how his parents met (things that only beer can explain), I was a bit curious about ir, so I decided to search about the song. Well, the original version belongs to the Canadian group The Corrs, from 1950. The song was recorded maaany times...



Não sei vocês, mas eu acho o máximo ver regravações, então fui procurar e uma dessas reinterpretações foi feita pelo grupo 'The Dubliners', obviamente irlandeses e de Dublin, lá da década de 60! A regravação tem aquele tom Irish mesmo, tão pra ouvir em um bar, sonhando com a Irlanda... Ah, segundo o last.fm, a música mais escutada desse grupo é a "Whiskey in The Jar" :) #euquero

I don't know about you, but I like a lot to listen to diferent versions of the same song, so I searched for the one made by "The Dubliners", of course, they're Irish, from Dublin and from the 60's decade! Their version have this Irish air, to listen while in a bar, dreaming about Ireland... Oh, according to last.fm, the most played song of the group is "Whisky in The Jar" :) 


Fuçando mais um pouco, ví que essa música está também em um filme recente, de 2005, "The Proposition", que foi escrito pelo músico Nick Cave... #todasbaixa.

Searching a bit more, I found that this song is also in a recent movie, from 2005, "The Proposition", written by the musician Nick Cave... 

foto de Giuliana Ananias Wolf
Meu bloquinho (sempre útil) com as dicas do Gordon sobre os melhores pubs de Dublin :)))






























"I put my head to a glass of brandy
It was my fancy I do declare
For when I'm drinking I'm always thinking
And wishing Peggy Gordon was here"

EEEEE =) essa foi a homenagem do Viagem Tipo Exportação ao dia dos namorados :))) Afinal, isso tudo aconteceu ontem mesmo, dia 12 de Junho!

Beijos, Giu! 


sábado, 9 de junho de 2012

Falando em beber...

Depois de séculos de piadas para com nossos queridos coleguinhas portugueses, fazendo graça de seus bigodes e dons mentais, eles encontraram um jeito de se vingar. Sabendo bem da nossa tara por cerveja, resolveram nos confundir nomeando o tamanho dos copos onde elas são servidas. Tudo isso para que, quando chegássemos sedentos por esse bendito líquido, eles pudessem dizer que não têm "chopp" e vissem aquele grande ponto de interrogação nos estampando a cara...

Então, aqui vai um guia para aprender a pedir quando estiver em terra lusitanas e mostrar que brasileiro é esperto até bêbado!

foto de Giuliana Ananias Wolf
Foto tirada no Café Piolho, aqui em Porto



















Fino: Essa é a menor medida de cerveja, tem 200 ml, ou 20cl como eles dizem aqui;
Príncipe: Esse vem com 300 ml;
Rei: Esse último, com 400 ml;

Tem ainda os BALDES, que geralmente têm 500 ml e podemos colocar lá o que quisermos, hihihi... Então dá pra pedir também um balde de cerveja! Ah, pra quem interessa, Super Bock é a cerveja mais famosa aqui de Portugal, a mais comum de encontrar nos bares e tal, junto com a Sagres. 

Existe também uma outra coisa que se chama PANACHÉ. Eu ainda não experimentei por falta de coragem, hahaha, isso é a mistura de cerveja com 7 UP, um tipo de Sprite, sabe? Se eu experimentar, coloco aqui meu review. Alguém já provou? Deixem a opnião aquiii para a galere :) 

foto de Giuliana Ananias Wolf
Panaché: A combinação de cerveja com 7UP




















Como já se dizia...
"-Um bebedor de cerveja! gritou o conde erguendo a cabeça com uma indignação cômica. - Minha querida, diante de mim, pelo menos, não diga isso se não queres fazer-me cabelos brancos! Estimo os ingleses e respeito a cerveja. Um bebedor de cerveja! Um moço daquela perfeição!... - murmurava ele, fazendo ranger a pena." O Mistério da Estrada de Sintra, p. 106 - Eça de Queiroz

Beijos, Giu

domingo, 27 de maio de 2012

Portugal: Queima das Fitas - Serenata

Há cerca de três semanas estava acontecendo aqui em Porto a famosa QUEIMA DAS FITAS. Essa festa carrega o peso de ser chamada de melhor e maior festa universitária da EUROPA. Para quem é intercambista é bem difícil entender o significado de tudo que se passa nessa semana, já que há festa toda noite e férias da faculdade ao mesmo tempo... tem que rolar uma concentração para acompanhar tudo que eles fazem!

A história da queima é bem longa, e advém da "Festa da Pasta", iniciada no Porto em 1920 por estudantes de Medicina, e em Coimbra um pouco antes, em 1918. Antigamente, a festa representava a despedida dos finalistas, que passavam suas pastas (uma pasta que carregam e que faz parte também do traje) aos que estavam no penultimo ano de faculdade, rumo ao último. Hoje ela celebra dois momentos: a primeira vez que os caloiros vestem o traje (tão polêmico e que eu expliquei aqui) e o último semestre dos veteranos que se formam em julho. Ou seja, é a maior concentração de pessoas trajadas por metro quadrado que todos têm a oportunidade de ver! Além dos caloiros e doutores finalistas, tem muito, muito, muito pai e mãe de família vestindo a capa de novo e indo para as cerimônias.

Eu já disse em outro post o quanto eles levam isso tudo a sério, e realmente, eu me assustei quando me dei conta de que essa foi a ÚNICA coisa que parou a cidade durante o tempo em que eu estou aqui. Natal? Blé... Ano novo? Blé... Carnaval? Blé... Porto campeão nacional? máromenoss.. mas na queima, meu Deus! A cidade toda parou mesmo, foi impressionante!

Como eu ainda não tinha ido visitar Coimbra, achei que seria uma boa ir lá durante a queima, já que a de lá começava antes da de Porto e poxa, é A cidade universitária de Portugal, né. Esse aqui foi o vídeo promocional, ó:



Bom, fui com mais alguns amigos e a expectativa estava lá em cima, mesmo não sabendo bem como funcionava.  Na noite da serenata é também quando os caloiros vestem o traje pela primeira vez e têm suas capas traçadas. Explico: quando se veste o traje à noite, a capa sempre tem de estar escondendo qualquer parte branca da roupa que o universitário esteja usando, mas para podertraçar sua capa, claro, tem todo um protocolo, a la vida portuguesa mesmo.

Abaixo está a primeira imagem que vimos ao chegar na Sé Velha, praça onde acontece a Serenata. Isso é só o que dava prara mostrar, pois toooodas as ruazinhas que davam nessa praça estavam completamente lotadas e intransitáveis.

foto de Giuliana Ananias Wolf
Praça da Sé em Coimbra na Queima das Fitas de 2012 - 1º dia: Serenata





































 Aviso para quem um dia pensa em ver a queima: a serenata acontece sempre na primeira noite e, não há agitação, todo mundo vai para ficar quietinho ouvindo FADO. Se você já conhece o fado, já percebeu qual a vibe da coisa. Se não, dá um play nesse vídeo e vai entender exatamente como é. Aí, você junta essa música com o sentimento de estar acabando a faculdade. É como se fosse uma festa de formatura que dura para sempre hahaha nunca ví gostarem tanto de sofrer com despedidas como nessa noite... 


Na segunda noite da queima de Coimbra, fomos à festa propriamente. A festa acontecia no "queimódromo" e é um misto de Rodeio (só que sem os tourinhos e peões) com as festas dos jogos universitários. Não falta bebida, gente nova e música. Lá em Coimbra teve o show do REVELAÇÃOOO (muuuito bom, btw), PLUS vááárias tendas com todos os tipos de música. Em cada tenda tinha também um tipo de bebida. Recadinho para a organização: ano que vem vocês podiam colocar mais do que só uma barraca com shots, né!

foto de Giuliana Ananias Wolf
Uma das tendas na Queima de Coimbra


















 

O queimódromo teve nossa companhia até as 6 da manhã, quando já tinha acabado tudo mesmo e viemos para Porto direto. No mesmo dia ainda tínhamos que ir à queima daqui! Não encontrei os números de Coimbra, mas aqui a festa movimenta cerca de 350.000 estudantes (!!!!!), de acordo com a Federação Acadêmica do Porto. Olha só umas coisas que eu registrei durante a primeira noite: 

foto de Giuliana Ananias Wolf



+ Reparem que nesse vídeo aqui em cima, logo no comço, nenhum dos trajados tem a capa traçada...

Bom, essas imagens e vídeos foram feitos na Praça dos Leões, local onde está a Reitoria da Universidade do Porto. Na verdade, todos chamam alí de Piolho, pois há também um bar com esse nome que se tornou "legendary". Prometo post sobre ele ainda! Dá para ver no vídeo a agitação que acontecia no dia, né? Depois disso tudo, fomos para o queimódromo. Aqui é bem diferente de Coimbra, pois ao invés de tendas, há barraquinhas de toooodos os cursos das universidades aqui de Porto.  Quem monta, trabalha e toca o negócio são todos estudantes. O legal (ou confuso) é que cada uma delas toca uma música diferente e extremamente alta, ao mesmo tempo! E todoas estão coladinhas, então depois de umas biritas, o negócio vai ficando difícil... é gente que chega em casa e não reconhece a mãe, gente que não sabe como voltou para casa, gente que se perde, gente que faz xixi no lugar errado e por aí vai...

queima das fitas porto
Barraquinhas na queima (imagem de www.fap.pt)











Até aqui, só falei da primeira noite da queima das fitas, imaginem que ainda há outas cinco noites! Vou fazer uma série de posts explicando cada uma delas e o porquê de tudo. Até a próxima =)

Beijos, Giu!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mas afinal, isso é português ou brasileiro? - parte II

Outro dia eu estava aqui em casa com uma amiga que é portuguesa (Oi Rita!) falando sobre tipos de pessoas e essas coisas, aí ela resolveu me mostrar um vídeo, cujo título era "Tipo Javardola, Menos Quando Fala Francês". Primeiro pensei que "Javardola" fosse o nome do personagem, mas vendo o vídeo percebí que não se tratava disso, mas também não sabia dizer o significado exato. Perguntei então, pela definição. A Rita sanou minhas dúvidas, dizendo "É uma mistura de badalhoco com azeiteiro". Ah, aí eu entendi tudo, né! Fim!

vocabulario portugues brasileiro
Livros usados à venda na Livraria Chaminé da Mota, aqui em Porto - um jeito de aprender um português que já foi...

Mentirinha, hehe, não se achem ignorantes, porque na verdade, só consegui rir quando ela disse isso, já que as coisas tinham ficado ainda mais confusas.

Agora vou esclarecer, prometo. Badalhoco seria um daqueles caras que são porcos, tanto no sentido físico, quanto no modo de tratar as pessoas; Azeiteiro, alguém que tem muito mal gosto quando se veste, fala tudo errado, só usa palavrões. A soma dos dois forma um perfeito javardola, aquele que 'não sabe se comportar em público, e que tem muito mal gosto e aspecto. Geralmente tem um vocabulário agressivo e rude' - segundo dizem minhas fontes =P.

Bom, aí um dia desses, de novo, estava conversando com um amigo português e estava tentando dizer a bendita nova expressão que eu tinha aprendido. De tão bem que aprendí, já não lembrava mais - hahaha - e comecei a descrever as características, e ele começou a chutar os adjetivos possíveis. Até que disse "é paneleiro?" - essa eu decorei e sabia que não era, pois é uma das maneiras de se chamar alguém que é homossexual. Continuei explicando, até que cheguei na palavra 'chulo', que está para o nosso "brasileiro", assim como javardola está para o português deles. Ele olhou, pensou e chegou à conclusão de que eu não sabia o que essa última palavra realmente significava. Me perguntou se eu sabia o que era um pimp... Lembrei de uma festa que já aconteceu aqui em Porto de nome 'Pimps & Hoes'. Respondi "É um cafetão?", ele confirmou, "Pois! Isso é que é um chulo cá".

Aqui está o vídeo que gerou todas essas confusões, mas o que vale é que no fim todos se entenderam - haja comunicação, viu!



+ Para ler o primeiro texto sobre este assunto, clique aqui. =)

Beijos, Giu!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Porto: Caloiros Praxados, Doutores Trajados e a Tuna!

Sei que está quase no fim do semestre, mas ainda dá tempo de falar sobre algo que é tão importante aqui no Porto. Aqui, o trote, diferente do Brasil, dura quase dois semestres e leva o nome de "praxe". Tudo é muito diferente e extremamente levado a sério. 

Em Porto eu estudo na Universidade Fernando Pessoa e logo nos primeiros dias, fui ver a praxe que estava acontecendo no campus, e aí ví o discurso um dos veteranos aos caloiros. Em um trecho ele disse: "Antes de querer conhecer os que estão de preto, preocupem-se em conhecer os que estão ao seu lado, pois estes é que seguirão com vocês na faculdade.". 

foto de Giuliana Ananias Wolf
Praxe em Setembro de 2011 na Universidade Fernando Pessoa




















Os "de preto" são os veteranos, e essa foto ilustra o porquê de eles serem chamados assim. Eles têm de se vestir com tipo um traje social (camisa branca, calça preta social, paletó - para os homens - e para as meninas, o mesmo, a diferença é que usam saia + meia-calça.), MAIS uma capa preta, que trás junto consigo muitas, muitas regras. Vou tentar colocar aqui algumas que eu já aprendi: 

1) ELA NUNCA DEVE SER LAVADA, NEM DURANTE, NEM APÓS A FACULDADE. NUNCA;
2) À noite, a capa deve estar traçada, para que fique impossível de se ver qualquer pedaço branco do traje;
3) Quando se está com a capa, não se usa guarda-chuva; 
4) Se você quer usar o traje um dia, tem que participar da praxe; Se quer praticar os "trotes", tem de a estar trajando;
5) Como dá pra ver pela na foto, essa capa é bem longa! E aí, como aqui em Portugal essa coisa de hierarquia é MUITO importante (e faz-se questão de mostrar isso a todo tempo), eles acharam um jeito também de mostrar o quão veteranos são: se a pessoa está na faculdade há um ano, pode dar uma volta na capa, se está há dois anos, duas voltas, e a ssim sucessivamente;
6) Depois de se tornar dourtor, pode-se usar a capa sem o traje por baixo. Assim, mais descontraído sabe, tipo jeans e capa;
+ Alguém sabe de mais outras? :)

foto de Giuliana Ananias Wolf
1ª Foto: Doutores à espera dos caloiros na FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto); 2ª: doutores em Coimbra na Universidade de Direito, posando para foto; 3ª: "sujeirinha" na capa do senhor doutor aí. Vai saber desde quando...


























E aí, rola toda uma dedicação. O legal é que tanto os doutores, quando os caloiros têm muito trabalho. Seja domingo com chuva, seja tarde ensolarada, eles estão lá, fazendo o que têm de fazer. Tem um respeito enorme que começa quando o caloiro não tem permissão de olhar nos olhos dos doutores, além disso, têm de carregar na bolsa uma camiseta que lhes foi entregue no começo do semestre (nela está o novo nome do bixo/bixete + o curso que está fazendo) e vestí-la sempre que mandarem. Logo no início do semestre passado, ví caloiros pedindo permissão para sair do campus para almoçar, e os que não pediam, eram questionados. 

Existe também outro tipo de praxe: aquela à quem quer pertencer à Tuna. Explico: tuna é tipo um coral que cada curso tem. Eles cantam, dançam participam de festivais competindo entre sí. Uma mistura de fado com o espírito acadêmico. Eu sempre imagino tipo um Glee português! <3 (Que ninguém de qualquer tuna leia isso hahaha)

doutores na feup 2011
Apresentações de Tunas

 Esse vídeo aqui embaixo eu fiz logo quando cheguei, era a Tuna de alguma faculdade (sorry, na época não pensei que colocaria isso em um blog...). Eles estão cantando e tocando, as capas estão ao chão (nunca lavarás tua capa, lembra-se?). Com certeza tudo isto estava bem organizado pelos caloiros, que, quando pretendem participar da Tuna, têm de fazer todo o trabalho de limpar, carregar e afinar os instrumentos, além de ensaiar. Aqui, a praxe pode durar até três anos, até que o caloiro se torne um "tuno". O engraçado é que às vezes (e na maioria delas), a pessoa já não é caloiro, mas na tuna ainda atua como se fosse, ou seja, é muito mais difícil entrar lá!




Esse segundo vídeo é da última apresentação que eu ví. Achei o máximo, era tipo um festival e várias tunas se apresentaram lá. Detalhe: os de chapéu e bengala são todos os que se formam ao final deste semestre. A cor da cartola varia de acordo com a cor do curso, assim como a da bengala. A tradição diz que quem se forma tem que levar quantas bengaladas quiser, e pode ir escolhendo os amigos, parentes, professores, ou seja, qualquer pessoa que tenha sido importante de alguma maneira. Tudo isso para dar sorte <3 Legal, né? 

Curiosidade: Porto é cheio de lendas, uma delas é que o traje usado para a série de filmes "Harry Potter" tenha sido inspirada no que os universitários usam cá, já que a autora dos livros morou aqui em Porto por muito tempo e é casada com um português.

+ Assim como no Brasil, onde existe quem se diverte com os trotes, mas existem também os que não aprovam nada, aqui em Portugal muita gente não é a favor da praxe ou do traje. O que faz surgir apelidinhos carinhosos aos doutores, como "morcegos", "harry potters", "da capa"... e por aí vai! 

Espero que tenham gostado de conhecer um pouco disso, porque isso tudo aqui é a própria essência do que é ser universitário em Porto!

Beijos, Giu

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mas afinal, isso é português ou brasileiro?

Loja perto da Ribeira, aqui em Porto.
A maioria dos brazucas quando chega aqui em Portugal, logo fica irritado com a mania que eles tem de dizer que falamos "brasileiro", ao invés de português. Engraçado é que depois de um tempo, começamos a nos acustumar com a ideia, porque vemos que, embora usemos as mesmas palavras, muitras vezes o sentido é completamente diferente em cada uma das culturas. E aí, não demora muito pra você se pegar falando "Em brasileiro isso é assim ou assado..."

Vou começar pelo famigerado "moça"/"moço", que para nós é tão comum e trivial. Experimente chamar alguém assim aqui em Porto. Salvo aqueles que trabalham em aeroportos, estações de trem - e que já estão acustumadas com desavisados chamando todos assim - a pessoa irá se sentir ofendida. Para eles, essa palavra não chega a ter o significado de "prostituta", mas é um jeito de vulgar de se chamar alguém. Seria mais ou menos como dizer "essa 'zinha', aí...". Já levamos várias broncas de taxistas por esquecer e dizer "para o Piolho, moço", eles bem responderam "Não tem moço nenhum aqui, não!". Por outro lado, eles tem costume de chamar as pessoas por menina e menino, e aqui as coisas se invertem, porque nós é que nos sentíamos desconfortáveis quando alguém nos chamava dizendo "Óh menina, venha cá!"

Já quando se fala de alguém na terceira pessoa, que seja da mesma idade, ou é amiga de amigos, algo do tipo, se usa "gaja"/"gajo", e menos frequente, "miúda"/"miúdo", que eu acho mais bonitinho, #valorizo haha. "Giro" é algo bonito ou muito bom, daí você pode dizer para suas amigas "Aquele gajo é muito giro!", e "fixe" é quando uma coisa é muito legal, tipo "A festa ontem foi fixe."

Outra que também é muito famosa é "bunda" HAHAHA, pois é. Se no Brasil damos esse nome, aqui você vai escutar muito "põe o cú na cadeira, menina!" - juro, duas amigas que faziam fisioterapia aqui escutaram isso na aula e quem disse foi o professor -, ou até "tens um rabo bom..." - fato verídico. No começo causa muiiita estranheza, mas conversando com um amigo português, perguntei "Como assim vocês falam rabo, cu? Não é legal dizer isso...", ele só me respondeu "E querias o que? que eu dissesse 'bunda'?!??"...Taí, cultura é uma coisa que não se discute.

E a confusão que foi quando eu queria explicar que meu vô tinha um sítio no Brasil? "Sítio" aqui significa lugar, tipo "Eu tava no sítio certo", e para falar do sitio do meu vô, eu deveria ter usado "quinta". Ah, falando nisso, e "estrungido"? Ahahaha duvido que alguém sabe isso! Fomos fazer um trabalho para a faculdade, então estávamos entrevistando várias pessoas no Mercado do Bolhão, aqui em Porto, sobre uma receita típica e como fazê-la. E a todo tempo era estrungido pra cá, estrungido pra lá... depois de quase uma hora, fomos entender que estrungido é nada mais, nada menos que um refogado, aquele azeite/óleo + cebola + alho... ahahha e a gente lá, criando mil hipóteses! Aqui em baixo tem o vídeo que nós acabamos por entregar, pra quem quiser ouvir o portuguêxxxxx :)



Logo posto mais sobre as diferenças linguísticas entre Brasil e Portugal, porque não pára por aqui, não! 

Beijos!
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