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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A história (e o sabor) das alheiras de Mirandela

Lá em Portugal eu era bem fã de um prato que eles serviam de norte a sul do país. O nome da iguaria é "alheira de Mirandela". Uma das melhores coisas pra comer de ressaca, super prática, barata, rápida e saborosa!

Eu já tinha declarado meu amor pelas alheiras, quando, um dia na aula, um professor lá da Univ. Fernando Pessoa, sabendo da minha brasileiridade, disse "Você não conhece a história das alheiras, pois não?", e contou!

Aconteceu assim:

Lá no final do séc XV, na época da Inquisição, qualquer pessoa que não fosse judia teria em casa um pedaço de carne de porco sendo defumando, segundo meu professor, pendurada no teto, envelhecendo, como ainda é possível ver naqueles armazéns que existem pelo Porto. 

Mas, como judeus não comem carne de porco, era bem fácil identificá-los: bastava entrar e ver que não tinha resquício algum de qualquer suíno por lá. Aí, algum iluminado teve a ideia de fazer tipo uma linguiça com outras carnes, as de aves! Então, eles misturavam carne de galinha, coelho, perú ou pato com pão de trigo, para dar consistência. Depois disso, envolviam com tripa, do jeito que é feito até hoje.

Aí, quando tudo já estava temperado, era só deixar defumando. A aparência e o cheiro ficavam muito próximos às carnes suínas que os católicos tinham em casa, então pronto! A receita se popularizou até mesmo entre católicos, que por fim passaram a fazê-la com carne de porco. 

Hoje dá para comprar em qualquer mercado, bem barato, tipo 2 Euros. Para quem estiver em Portugal, vale a pena ficar atento quanto às feiras que acontecem durante o ano dedicadas ao prato. 

Para quem nunca experimentou e está aqui no Brasil, ou para quem, como eu, sente taaaanta vontade de comer alheiras, the good news é que eu encontrei elas aqui tanto em Campinas como em São Paulo. Antes o City Bar, campineiro, fazia. Mas da última vez que fui lá, o garçom me disse que eles tinham parado. Encontrei, então, o Juema Bar e Mercearia (R. Santos Dumond com a Cel. Quirino), que fica também no Cambuí e é comandado por um português, que como o seu Zé do City Bar, chegou no Brasil ainda bem jovem. Você pode tanto comer lá, frita, quanto levar crua e preparar em casa. Em São Paulo o melhor lugar que encontrei para compra-las foi o Mercado Municipal Paulistano mesmo, bem baratinha e vários boxes vendem - mesmo os que não são portugueses.  

Depois de adquirir sua alheira, você pode fazer de duas maneiras: frita no azeite, como a maioria dos restaurantes, ou do jeito mais gostoso, no forno! Ahahahaha deixe por uns 10, 15 minutos lá e proonto! Você vai saber que está no ponto quando aquele cheiro de felicidade começar a invadir sua casa, and that, my friends, é alheira! :B Só não esqueça de fazer uns furinhos nela com um garfo para ela não explodir dentro do forno #experienciapropria hahaha

enjoy












terça-feira, 19 de junho de 2012

Petiscos do Mundo: Tremoço

Quem é que não gosta de tomar uma cervejinha/caipirinha/mojito/vinho e afins enquanto viaja? A bebida é sempre bem vinda e vale a pena experimentar em todos os lugares, claro! Mas todos sabemos que bastam uns golinhos para o apetite abrir.

Hoje vou falar do que se come em Portugal quando isso acontece. Apesar da farta produção de azeitonas, o que mais se vê como petisco em bares são os "tremoços". Eu não sabia, mas achei recentemente que no Brasil também comemos isso (sou uma frequentadora assídua e nunca ví, mas não duvido... alguém aí tem esse hábito?)

Então, ele é uma semente, que depois de cozida, é colocada em conserva, até que se perca o gosto amargo original. Depois disso, ele fica salgadinho, sem um gosto muito peculiar. A gente se diverte só pela maneira como tem que comê-lo, espremendo até o "recheio" sair de dentro da casca.

O resultado é esse aqui embaixo, ó:

foto de Giuliana Ananias Wolf
nhammmm













































+ E então, alguém já conhecia?

Beijos, Giu!

sábado, 9 de junho de 2012

Falando em beber...

Depois de séculos de piadas para com nossos queridos coleguinhas portugueses, fazendo graça de seus bigodes e dons mentais, eles encontraram um jeito de se vingar. Sabendo bem da nossa tara por cerveja, resolveram nos confundir nomeando o tamanho dos copos onde elas são servidas. Tudo isso para que, quando chegássemos sedentos por esse bendito líquido, eles pudessem dizer que não têm "chopp" e vissem aquele grande ponto de interrogação nos estampando a cara...

Então, aqui vai um guia para aprender a pedir quando estiver em terra lusitanas e mostrar que brasileiro é esperto até bêbado!

foto de Giuliana Ananias Wolf
Foto tirada no Café Piolho, aqui em Porto



















Fino: Essa é a menor medida de cerveja, tem 200 ml, ou 20cl como eles dizem aqui;
Príncipe: Esse vem com 300 ml;
Rei: Esse último, com 400 ml;

Tem ainda os BALDES, que geralmente têm 500 ml e podemos colocar lá o que quisermos, hihihi... Então dá pra pedir também um balde de cerveja! Ah, pra quem interessa, Super Bock é a cerveja mais famosa aqui de Portugal, a mais comum de encontrar nos bares e tal, junto com a Sagres. 

Existe também uma outra coisa que se chama PANACHÉ. Eu ainda não experimentei por falta de coragem, hahaha, isso é a mistura de cerveja com 7 UP, um tipo de Sprite, sabe? Se eu experimentar, coloco aqui meu review. Alguém já provou? Deixem a opnião aquiii para a galere :) 

foto de Giuliana Ananias Wolf
Panaché: A combinação de cerveja com 7UP




















Como já se dizia...
"-Um bebedor de cerveja! gritou o conde erguendo a cabeça com uma indignação cômica. - Minha querida, diante de mim, pelo menos, não diga isso se não queres fazer-me cabelos brancos! Estimo os ingleses e respeito a cerveja. Um bebedor de cerveja! Um moço daquela perfeição!... - murmurava ele, fazendo ranger a pena." O Mistério da Estrada de Sintra, p. 106 - Eça de Queiroz

Beijos, Giu

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mas afinal, isso é português ou brasileiro? - parte II

Outro dia eu estava aqui em casa com uma amiga que é portuguesa (Oi Rita!) falando sobre tipos de pessoas e essas coisas, aí ela resolveu me mostrar um vídeo, cujo título era "Tipo Javardola, Menos Quando Fala Francês". Primeiro pensei que "Javardola" fosse o nome do personagem, mas vendo o vídeo percebí que não se tratava disso, mas também não sabia dizer o significado exato. Perguntei então, pela definição. A Rita sanou minhas dúvidas, dizendo "É uma mistura de badalhoco com azeiteiro". Ah, aí eu entendi tudo, né! Fim!

vocabulario portugues brasileiro
Livros usados à venda na Livraria Chaminé da Mota, aqui em Porto - um jeito de aprender um português que já foi...

Mentirinha, hehe, não se achem ignorantes, porque na verdade, só consegui rir quando ela disse isso, já que as coisas tinham ficado ainda mais confusas.

Agora vou esclarecer, prometo. Badalhoco seria um daqueles caras que são porcos, tanto no sentido físico, quanto no modo de tratar as pessoas; Azeiteiro, alguém que tem muito mal gosto quando se veste, fala tudo errado, só usa palavrões. A soma dos dois forma um perfeito javardola, aquele que 'não sabe se comportar em público, e que tem muito mal gosto e aspecto. Geralmente tem um vocabulário agressivo e rude' - segundo dizem minhas fontes =P.

Bom, aí um dia desses, de novo, estava conversando com um amigo português e estava tentando dizer a bendita nova expressão que eu tinha aprendido. De tão bem que aprendí, já não lembrava mais - hahaha - e comecei a descrever as características, e ele começou a chutar os adjetivos possíveis. Até que disse "é paneleiro?" - essa eu decorei e sabia que não era, pois é uma das maneiras de se chamar alguém que é homossexual. Continuei explicando, até que cheguei na palavra 'chulo', que está para o nosso "brasileiro", assim como javardola está para o português deles. Ele olhou, pensou e chegou à conclusão de que eu não sabia o que essa última palavra realmente significava. Me perguntou se eu sabia o que era um pimp... Lembrei de uma festa que já aconteceu aqui em Porto de nome 'Pimps & Hoes'. Respondi "É um cafetão?", ele confirmou, "Pois! Isso é que é um chulo cá".

Aqui está o vídeo que gerou todas essas confusões, mas o que vale é que no fim todos se entenderam - haja comunicação, viu!



+ Para ler o primeiro texto sobre este assunto, clique aqui. =)

Beijos, Giu!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Paris: Fake Furries em Montmartre

foto de Giuliana Ananias Wolf
Vista da Torre Eifel a partir do Louvre

A coisa que a gente mais escuto dos amigos quando dizemos que vamos viajar, sempre começo pelo caminho do "Ah, quero uma lembrancinha, hein...". Claro que a resposta depende da generosidade e poder orçamentário de cada um, mas viajante tenta sempre esvaziar a mala, ao invés de encher mais, né?

Uma solução que eu achei para isso foi começar a enviar cartões postais! Gasta-se pouco, não ocupa espaço algum e ainda me poupa o trabalho de ficar fazendo notas mentais do tipo "tenho que contar o que aconteceu em tal cidade pra fulana". Só que já que é um postal, tem que caprichar! Sempre procuro os que têm mais personalidade e fogem do óbvio.

Então, andando por Montmart, em Paris, encontrei algo.O bairro por sí só, já é mais alternativo se comparado ao resto da cidade, e fugindo das lojinhas comuns de souvenirs, tem muita coisa diferente! Encontrei o postal em uma dessas, na papelaria "Éditions Du Desastre", com vários livros antigos e novos, postais, mapas, mas nada óbvio! Aí não teve como eu não achar o máximo quando ví esses postais da Bizarr, marca alemã que investe exatamente nisso: postais, livros, cartões, ímãs de geladeira, entre outros, que fogem do óbvio. Achei muito digno!  

O postal que eu comprei: ainda sem destinatário...

Esse tipo de postal, assim com pelinhos é feito à mão e leva o nome de "Fake Furries", e eu pelo menos, nunca tinha visto antes, mas adorei! No site da marca tem outros tipos e dá pra comprar online, aqui ó. 

O endereço da papelaria onde eu encontrei o postal, é esse aqui: 
21, rue Visconti
75006 Paris - France 
Tel. +33 (0)1 4633 6901 

Beijos, Giu!

Whenever one goes on a trip, the most comum thing to hear is "Bring me some gift, any souvenir...". The answer always depends on each one's generostity and avaiable money, but a traveler is always looking for a way to make bags lighter, instead of heavier, right?

I've found a really simple solution for thatk, I started sending post cards! You really don't spend much, don't lose any space and don't even have the hard work of making all those mental notes, like "I have to tell my girfriend what happened in this city...". But, as it is a postal, it's already simple enough, so I always try to find a way to make it a nice gift. No, I don't do a cute handwritting, I just look for the most stylish and not so obvious postals.

So, walking arounnd Montmartre, in Paris, I found something. The neighborhood it self is alternative if you compare to the rest of the city, and when you stop going for the comun souvenir shops, you can find really cool stuff! I found cool postals in one of these shops, in the stationery "Éditions Du Desastre". There was antique and new books, postals, maps, but nothing of it was obvious! I just couldn't not fall in love when I saw Bizarr postal, a german brand that works exactly with it: books, cards, little cute things that "think" out of the box. Cooool!

I had never seen this "hairy", hand made postal named "Fake Furries", but I just loved the idea. You can buy it online and there's many other kinds, just click here.

The stationery's address:
21, rue Visconti
75006 Paris - France
Tel. +33 (0)1 4633 6901 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mas afinal, isso é português ou brasileiro?

Loja perto da Ribeira, aqui em Porto.
A maioria dos brazucas quando chega aqui em Portugal, logo fica irritado com a mania que eles tem de dizer que falamos "brasileiro", ao invés de português. Engraçado é que depois de um tempo, começamos a nos acustumar com a ideia, porque vemos que, embora usemos as mesmas palavras, muitras vezes o sentido é completamente diferente em cada uma das culturas. E aí, não demora muito pra você se pegar falando "Em brasileiro isso é assim ou assado..."

Vou começar pelo famigerado "moça"/"moço", que para nós é tão comum e trivial. Experimente chamar alguém assim aqui em Porto. Salvo aqueles que trabalham em aeroportos, estações de trem - e que já estão acustumadas com desavisados chamando todos assim - a pessoa irá se sentir ofendida. Para eles, essa palavra não chega a ter o significado de "prostituta", mas é um jeito de vulgar de se chamar alguém. Seria mais ou menos como dizer "essa 'zinha', aí...". Já levamos várias broncas de taxistas por esquecer e dizer "para o Piolho, moço", eles bem responderam "Não tem moço nenhum aqui, não!". Por outro lado, eles tem costume de chamar as pessoas por menina e menino, e aqui as coisas se invertem, porque nós é que nos sentíamos desconfortáveis quando alguém nos chamava dizendo "Óh menina, venha cá!"

Já quando se fala de alguém na terceira pessoa, que seja da mesma idade, ou é amiga de amigos, algo do tipo, se usa "gaja"/"gajo", e menos frequente, "miúda"/"miúdo", que eu acho mais bonitinho, #valorizo haha. "Giro" é algo bonito ou muito bom, daí você pode dizer para suas amigas "Aquele gajo é muito giro!", e "fixe" é quando uma coisa é muito legal, tipo "A festa ontem foi fixe."

Outra que também é muito famosa é "bunda" HAHAHA, pois é. Se no Brasil damos esse nome, aqui você vai escutar muito "põe o cú na cadeira, menina!" - juro, duas amigas que faziam fisioterapia aqui escutaram isso na aula e quem disse foi o professor -, ou até "tens um rabo bom..." - fato verídico. No começo causa muiiita estranheza, mas conversando com um amigo português, perguntei "Como assim vocês falam rabo, cu? Não é legal dizer isso...", ele só me respondeu "E querias o que? que eu dissesse 'bunda'?!??"...Taí, cultura é uma coisa que não se discute.

E a confusão que foi quando eu queria explicar que meu vô tinha um sítio no Brasil? "Sítio" aqui significa lugar, tipo "Eu tava no sítio certo", e para falar do sitio do meu vô, eu deveria ter usado "quinta". Ah, falando nisso, e "estrungido"? Ahahaha duvido que alguém sabe isso! Fomos fazer um trabalho para a faculdade, então estávamos entrevistando várias pessoas no Mercado do Bolhão, aqui em Porto, sobre uma receita típica e como fazê-la. E a todo tempo era estrungido pra cá, estrungido pra lá... depois de quase uma hora, fomos entender que estrungido é nada mais, nada menos que um refogado, aquele azeite/óleo + cebola + alho... ahahha e a gente lá, criando mil hipóteses! Aqui em baixo tem o vídeo que nós acabamos por entregar, pra quem quiser ouvir o portuguêxxxxx :)



Logo posto mais sobre as diferenças linguísticas entre Brasil e Portugal, porque não pára por aqui, não! 

Beijos!

terça-feira, 6 de março de 2012

Porto: Música na rua

Já tinha visto que aqui no Porto, eles estavam com esse proposta de música ao vivo de graça em áreas públicas, como no metrô, mas até agora só tinha mesmo ouvido a proposta, hoje, por coincidencia, ouvi a música! 
Em tempos de crise e muitas preocupações, encontrar algo assim, para quem quer que seja, é no mínimo inspirador.

Solta o play ;)

I noticed some time ago that Porto had the ideal of making live concerts for free in public areas, but untill today, I had only heard about the idea, and for coincidence, today I actually saw it!
In times of crises and a lot to worry about, to be surprised by something like it, is at least inspiring...


Giu.
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