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domingo, 16 de março de 2014

Machu Picchu a pé: a verdade, parte 2

Continuando o post sobre Machu Picchu.... (caso não tenha lido a parte 1, clique aqui)

Começamos a subida dos degraus às 4h30, com tudo ainda bem escuro e chovendo bastante. Dava para sentir o ar rarefeito, e a cada lance de degraus, precisava parar, tomar água e respirar para ter condições de subir. Mas sejamos francos: apesar da altitude, admito, se fosse numa altitude com a qual eu já estivesse acostumada, teria cansado do mesmo jeito, ehehe

Sobe, sobe, sobe... água, água, água... e depois de uma hora e meia, mais ou menos, chegamos na entrada de Machu Picchu! O problema é que subir até os 2.430m de altura fez a gente sentir muito calor, então fui abrindo a blusa - que era impermeável. Isso fez com que minha camiseta e calça ficassem encharcadas. Quando a gente parou de andar, e já estava dentro de Machu Picchu, o corpo esfriou e aquela sensação ruim foi aumentando. Por sorte, a gente estava com a mochila com as roupas que tínhamos usado no dia anterior. Elas estavam sujas, mas secas. Porque eu estava pensando em todos os momentos embaixo de uma coberta quentinha, e por mais que o guia estivesse bem na minha frente, a voz dele era mais uma lembrança distante "daquele dia que passei frio demais". Em resumo, essa era minha expressão de #chateada

macchu picchu

macchu picchu



Mas eu juro que depois que eu troquei de roupa fiquei com uma cara melhor! Engraçado é que todo mundo se troca lá no meio da galera mesmo, porque ninguém chega intacto. Claro, dos que sobem os degraus. Se você quiser, dá para subir de ônibus, que custa cerca de 18 dólares também e você compra na hora, não precisa reservar. Porém, quando estávamos lá, esse ônibus só começava a subir a partir das 9h30, por conta das chuvas e alguns deslizamentos que tinham acontecido. Então ficava muito apertado em termos de horário. O bom é que quando era tipo seis e meia, estávamos já fazendo o tour.

Lá em cima tava aquela chuvinha chata ainda, então o Thiago perguntou para o guia:

- Vai chover muito ainda? O que você acha?
- O dia inteiro.

Ah, que bom...

macchu picchu
Mas parou depois de uns quarenta minutos que estávamos lá, hehehe. O engraçado é que o tempo vai mudando muito rápido. Em cinco minutos o tempo fecha, aí bate um vento, abre de novo. Claro que isso sempre acontece, mas é que àquela altura, as nuvens estavam muito pertinho, então ficava mais impressionante, igual tá aqui no vídeo:


Depois que eu estava seca, foi só alegria e tirar foto, ver o que o guia tava dizendo e afins. Me surpreendi com ele dizendo que 80% do que está ali é original! E que mesmo coisas que foram restauradas, não necessariamente foram reconstruídas, as vezes era "só" colocar uma pedra no lugar, segundo ele. Apesar dessa informação que ele deu, já vi outros dados dizendo que apenas 30% do que está lá é original, e outros números diferentes. Palpites?

macchu picchu 
Quando estávamos lá compramos o livro "Lost City of the Incas", escrito por Hiram Bingham, o cara que meio "sem querer querendo" descobriu Machu Picchu, em 1911. 

macchu picchu
"Onde você trabalha?" "Em Machu Picchu, de boa" 

macchu picchu
"Qual sua profissão?" "Sou restaurador... de Machu Picchu"... hahaha, sério!

macchu picchu
aguas calientesaguas calientes
Começamos a descida de MP por volta das 10h30, mas esse trecho fizemos de ônibus, custou 18 dólares a descida. Caso não quiséssemos ir de ônibus, era só descer o um milhão de degraus que subimos. Chegando em Águas Calientes de volta, aproveitamos e fomos no Mercado que tem na cidade. Ele fica do outro lado do rio em que está o centro da cidade. Estava super vazio, então demos uma voltinha.

 E aqui o trem que pegamos para chegar até a hidrelétrica, onde pegamos a van para voltar a Cusco.


 Seis horas depois.... esta era eu, no Ecopackers de Cusco, feliz com minha Cusqueña:







Achei o passeio muito legal, apesar do maior cansaço de fazer esse rolê todo! Tudo o que fizemos andando, poderíamos ter feito com algum tipo de transporte, mas valeu a pena ter subido andando, pelo menos uma vez. Fiquei com vontade de fazer a trilha que sai de Cusco e vai caminhando até Machu Picchu. Ah, e também não tivemos tempo de conhecer Wayna Picchu, que está bem em frente à MP. Essa não dava tempo... mas fica para a próxima! Alguém já conheceu?

Bjos! 

Machu Picchu a pé: a verdade, parte 1

Machu Picchu é muito legal. Mas não pense que para chegar lá é simples. Começamos a procurar pacotes para lá quando estávamos em Arequipa, com a ajuda do David. O preço era bem mais alto do que esperávamos: cada um pagou 120 dólares pelo pacote, que incluía:

- Van de Cusco até a hidrelétrica próxima à Águas Calientes;
- Jantar em Águas Calientes;
- Noite em hostel;
- Entrada em Machu Picchu (ticket) (geralmente você tem que comprar com alguns dias de antecedência, porque o máximo de visitantes permitidos por dia em MP são 2500. Reserve aqui);
- Guia dentro de Machu Picchu;
- Volta de Àguas Calientes até a hidrelétrica de trem;
- Van da hidrelétrica até Cusco.











Isso tudo em dois dias. A verdade é que foi legal e aproveitamos bastante, mas tudo o que não era feito com transporte foi bastante cansativo de fazer andando. Como por exemplo, a ida da hidrelétrica até Águas Calientes, que é o "pueblo" de Machu Picchu. São 11 quilômetros de caminhada feitos ao lado da linha do trem. Se você preferir, pode pegar esse trem, que custa 18 dólares e faz o mesmo percurso em cerca de uma hora. 







Nós fomos andando porque um casal que tínhamos conhecido em Sucre, na Bolívia, falou que "o percurso andando é imperdível, a parte mais bonita do caminho... fazer isso de trem é perder metade do passeio". Sério, maior cagada ter escutado esse conselho. Caminhamos por cerca de três horas para chegar a Águas Calientes e quando o trem passou por nós, só me senti muito besta por não ter comprado o ingresso e ir nele. Apesar do caminho ser bonito e você ir tirando fotos ao longo dele, você só quer fazer isso pelos primeiros quarenta minutos, hahaha... depois eu só ficava torcendo para chegar logo... queria tomar um banho, dar uma cochilada.



Ah, eu tinha a impressão que Cusco ficava pertinho de Machu Picchu, mas na verdade, são cerca de seis horas de carro! É bem longe. Tem gente que faz uma trilha andando desde Cusco até Machu Picchu e chega lá em cerca de três dias!

Mas quando chegamos em Águas Calientes, encontramos o grupo que estava com a gente na van lá na praça principal. É uma vila bem bonitinha, charmosa e o som do rio é beeem alto... e como ele corta a cidade, você vai ouvir o som das águas a maior parte do tempo em que estiver por ali. Detalhe: esse é o  rio Amazonas! Ao nascer na cordilheira do Peru, recebe o nome de Apurimac. Quando ele chega em Aguas Calientes, se junta ao rio Urubamba, e vira então o Ucayalli, um dos principais afluentes do Rio Amazonas (que só passa a se chamar assim quando entra em Manaus).











O legal é que quando fechamos o pacote, não tínhamos certeza de qual era o tipo de quarto em que ficaríamos. Mas pensei que seria um quarto compartilhado, porque era o pacote mais barato de todos. Quando o guia nos encontrou, pediu que somente eu e o Thiago o acompanhássemos até um hostel X, bem na beira da linha do trem. Entramos e ele pediu na recepção uma chave para um quarto duplo! Duplo! Duplo! Não acreditávamos. Depois que encontramos, realmente! O quarto era para duas pessoas e ainda tinha um banheiro dentro!!! E o mais legal: ele era virado para o rio, que dava para ver e ouvir super bem de lá de dentro. Ok, ver nem tanto, mas mesmo assim, bem massa e melhor do que o esperado! Tranquei a porta logo, esperando que talvez alguém pudesse voltar dizendo que nós estávamos em um quarto errado, que havia sido reservado para alguém que pagou por ele. Minha estratégia: "Vamo ficar bem quieto se alguém aparecer aqui!!! Fingimos que já dormimos!!!".

Depois disso foi mais tranquilo: tomamos banho, comemos, dormimos. O guia avisou que a gente deveria estar no ponto de encontro no dia seguinte às 4 horas da manhã, para às 4:30 estarmos na entrada do portão da subida para Machu Picchu. Estava chovendo, então a gente já saiu com roupa impermeável e vestindo capa de chuva. Mas por que tão cedo? Simplesmente porque nossa van voltaria da hidrelétrica às 14h, e nosso trem saía de Águas Calientes às 12h30.

Esse foi o primeiro dia da viagem. O segundo dia da viagem, conto no post a seguir ;) 

terça-feira, 11 de março de 2014

Brasileiro em Lima também é gringo

Sempre penso em fazer um roteiro  para uma viagem, mas não me prendo totalmente a ele. Se um lugar já deu o que tinha que dar, vou para o próximo; se sinto vontade de ficar mais, prolongo a estadia. 

Quando voltamos de Machupicchu, ficamos no Ecopackers de Cusco. E, sabe, depois de dois dias muito cansativos, o lugar parecia tão aconchegante, o bar parecia tão propício, e nós só teríamos aquela noite no hostel - que é melhor que muito hotel por aí, diga-se de passagem. Iríamos para Lima no dia seguinte à tarde, onde passaríamos uma noite e depois embarcaríamos de volta para o Brasil. 

Desfizemos os planos e decidimos ficar mais uma noite em Cusco e só ir para Lima no dia da nossa volta, então ao invés de viajarmos na quinta à tarde, fomos na sexta. Contei a história do ônibus que pegamos aqui. 

Chegamos em Lima ao meio dia. Nosso vôo era só às 21h. Decidimos ir à praia e ficar em alguma barraca enquanto não dava a hora de ir para o aeroporto. Primeira cilada: do terminal de ônibus, todos os taxistas diziam que levava uns 20 minutos até a praia e por isso teríamos que pagar X. Como não conhecíamos e era o último dia de viagem, fomos sem muita resistência. Cinco minutos depois, praia. Cinco. 

Chegamos na praia e, bem, não vou dizer que ficamos com os pés na areia. Ficamos em uma parte mais longe, em uns quiosques. Eu, o Thiago e duas mochilas enormes. Todo mundo olhava e sabia que éramos turistas, mas até aí, tudo bem. Era o último dia da nossa viagem, não sofremos nenhum golpe nessas duas semanas, não perdemos nada e ainda tínhamos encontrado essa porção de peixe frito que estava M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A: 

Como eu não queria mais ter que sacar dinheiro até chegarmos no Brasil, estava controlando quanto a conta daria para não faltar dinheiro para chegar ao aeroporto. Já tinham nos avisado que de onde estávamos, seria pelo menos uns 50 soles até lá.

Cada porção de peixe custava 38 soles. Cada cerveja, 7. SETE. Consumimos duas porções e quatro cervejas, então o dinheiro que restava deveria ser suficiente para ir embora. Mas na hora que a conta chegou, eu estava tirando fotos do lugar, e o Thiago não tinha reparado no preço das coisas no cardápio. Quando cheguei, ele já tinha pago e eu pedi para ver a descrição na notinha. Lá, cada cerveja estava por 10 Soles, e eu tinha certeza que tinha visto por 7 antes. Antes, e não depois! O que significa que não era o efeito dos meus copos!

Chamei a garçonete e ela ficou dizendo que "no querida, el precio es este". Vai, não vai, pedimos o cardápio de novo. Passados cinco minutos, me aparece a mulher com o mesmo cardápio, que era impresso, com um dez FEITO À CANETA onde antes estava apenas "7". 

MAS É MUITA CARA DE PAU. 

O Thiago foi e disse que aquele cardápio estava rabiscado e que queríamos outro. Ela começou a dizer que aquele era o único cardápio do bar. Seria, caso bem atrás dela não tivesse outro, intocado. Ali o preço estava 7 soles por cada garrafa de cerveja. Ela devolveu 10 soles e pediu desculpas. O Thiago voltou e a gente percebeu que na verdade ela deveria ter devolvido 12. Pedimos os dois que faltavam e ela pagou, dizendo, tão simpática, algo para que nos protegêssemos: 

"- Viu, toma cuidado que aqui em Lima é perigoso para turistas. As pessoas vão tentar te roubar." 

Sério? Nem tinha percebido. 

A gente poderia ter ido embora sem os 12 soles? Sim. Ia fazer uma puta falta? Não. Mas ah, coisa chata isso de te verem com uma mochila e já acharem que vai ser muito fácil te passar a perna, né? Só porque você está de passagem pelo lugar. Nosso brazilian backpacker proud não nos deixou ignorar isso, hehehe. 

Ps. Apesar da experiência e do pouquinho de tempo que ficamos em Lima, cerca de 5 horas, gostei da cidade e voltaria. Gente querendo ser esperta tem em todo lugar, então levo esse episódio como uma coisa cômica e não uma dor de cabeça. 

Remédios para o mochilão

Oi gente!

Antes de ir viajar fiz uma malinha de primeiros socorros para quando estivesse fora. Por mais que seja bom viajar com um seguro para caso você precise ir a um médico, levar alguns remédios é indispensável, já que no meio do deserto na Bolívia, por exemplo, seu plano não vai adiantar de nada, já que também não tem médico por lá.
































O que eu levei:

- Sucrafilm Sucrafalto 2g/10ml: remédio para azia e mal-estar estomacal;
- Fágico Bromoprida 4mg/ml: remédio para ânsia e vômito. Não sei  até agora como não precisei, depois de ficar tanto tempo dentro de uma van subindo e descendo serra hahaha;
- Dipirona Sódica 500mg/ml: remédio para dor de cabeça;
- Diasec 2mg: remédio para diarreia. Porque às vezes é bom ter medo do destino, né.

Eu tinha todos esses remédios em casa, então não precisei me preocupar com uma receita. Mas caso não tivesse, iria em um Clínico Geral e explicaria que ia viajar e que precisava de X e X remédio por isso. Acho que vale. Alguém já tentou?

Mas na Bolívia encontramos um outro remédio que era especificamente para o "mal de altitude" que muitas pessoas sofrem. Eu senti um pouquinho, mas bem de leve. Geralmente quando acordava, sentia minha cabeça um pouco mais pesada, como se tivesse ficando gripada, sabe? Mas aí era só tomar uma pílula de Soroche que passava!

Tanto na Bolívia quanto no Peru você encontra "Soroche pills" ou "Sorojchi Pills" em qualquer farmácia. Cada cápsula contem Ácido Acetilsalicílico 325mg + Salofeno 160mg + Cafeína 15mg. Lembro que uma cartela custava cerca de 30 bolivianos. E acho que vale bastante a pena, considerando que o efeito deles é muito rápido e realmente funciona.



Lembrando que eu não tive nada muito arrebatador, só essas dorzinhas de cabeça e, para isso, especificamente, ele funcionou muito bem. Um outro amigo nosso que foi no tour do Salar do Uyuni passou muito mal e para o mal de altitude que ele sentiu não teve Soroche ou chá de coca que desse jeito. A única solução foi inalação e baixar de altitude.

Além disso, uma das pessoas que estava com a gente no tour do Uyuni disse ter tomado um remédio para aumentar o número de glóbulos vermelhos. Isso faz com que mais oxigênio seja transportado pelo sangue, logo, diminuem as chances de você sofrer falta de ar e afins quando estiver em grandes altitudes. Para isso, dá para tomar o Citoneurin 5000, um composto de vitamina B1 + B6 + vitamina B12. Eu nunca tomei, mas encontrei essa recomendação em um fórum de escaladores, aqui. 

Detalhe: ir para a Bolívia exige que você tome uma vacina de febre amarela. O Peru e a Bolívia não exigem seguro-viagem para que você entre lá, mas eu recomendo fortemente que você tenha antes de desembarcar em qualquer lugar fora do Brasil. Esqueci de fazer o seguro e de tomar a vacina. Consequência: fiquei comemorando a viagem inteira que nada me aconteceu e que também não exigiram que eu mostrasse a carteirinha de vacinação!!! hihi não faça isso

Bjo!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O guia e o banquete de Santa Cruz de la Sierra

Eu nunca tinha usado o Airbnb para nenhuma hospedagem, só conhecia bem o CouchSurfing. Acontece que o Airbnb pode ser uma opção muito barata, as vezes até mais do que hostel, caso você vá dividir com alguém, como era o caso dessa viagem pela Bolívia e Peru. Você pode tanto alugar um quarto, quanto uma casa/sítio, depende do que procura. 

A gente foi reservando hostel/tour conforme a viagem ia acontecendo, a única coisa que reservamos com antecedência foi o lugar onde dormiríamos a primeira noite quando chegássemos em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, nosso primeiro destino. 

Pagamos R$ 38 para passar uma noite em um quarto de uma casa X. Não tinha muitos detalhes no anúncio, mas como o preço era bom e parecia um lugar limpinho, fechamos, hehehe. 

Logo o dono da casa entrou em contato conosco por mensagem no Airbnb, o German. Ele disse que poderia nos buscar no aeroporto (!!!) porque o transporte público era precário, então aceitamos - e já engatamos dizendo que adoraríamos tomar umas cervejas à noite - vai que, né, hahaha. 

Ele atrasou um pouquinho para ir nos buscar e como eu não conseguia ligar para ele, apesar de ter o seu número, ficamos meio em pânico, já olhando uma lista de hostel que o Thiago tinha feito em caso de emergência. Mas enquanto andávamos de um lado para o outro meio com cara de "por favor, me adote", uma pessoa veio olhando, desconfiada, e me perguntou "Giuliana?", no que respondi aliviada "SSIIIII". 

Ali estava o German, sua filha, e suas duas irmãs "de alma", como ele definiu. Era sábado e ele disse que a esposa dele costumava meditar nesse dia, e que mais tarde poderíamos conhecê-la. No caminho para casa, o German falou um pouco mais sobre a cidade e a sua história. Ele era, na verdade, mexicano. Depois de ter feito faculdade nos Estados Unidos, escolheu a região ali de Santa Cruz para abrir um orfanato da mesma "rede" em que ele cresceu, no México. E dessa maneira ele conheceu suas duas irmãs, que tinham ido passar o dia com ele. 

Isso é uma coisa muito legal do Airbnb. Você paga para dormir em algum lugar, e acaba conhecendo também histórias e pessoas que vêm junto no pacote. Acho que pelo fato de que vocês já vão dormir sob o mesmo teto faz com que o anfitrião seja muito mais aberto e disponível, tanto sobre a própria vida, quanto para falar sobre a cidade. E também, porque acredito que essas pessoas que participam de redes como Airbnb não estão tão somente querendo ganhar dinheiro, mas procurando uma oportunidade de conhecer mais de outras culturas. Mas, claro, não é uma regra. Vai muito de cada um e essa era a primeira vez que o German hospedava alguém, acho que ele queria que a gente se sentisse bastante à vontade. 

Tanto, que ele nos disse: "minhas irmãs querem comprar uma pistola para escrever e desenhar em couro, então temos que ir em alguns mercados... vocês podem ir com a gente e depois andamos pelo centro, passeamos". E fizemos isso o dia todo, andando de carro, depois parando e indo procurar o que elas precisavam. 

Passamos por três mercados. Um parecia um estádio, de tão grande, e vendia absolutamente de tudo. O segundo já se parecia mais com um camelô, mas só havia boxes de ferramentas, materiais elétricos, tipo furadeira, coisas para metalurgia. Já o terceiro, era uma mistura de feira com mercado e camelódromo. Tinha roupa, comida, gente cozinhando na rua, frutas, tecido, miçangas (sim - não sei há quanto tempo não via isso de perto!). 


Santa Cruz de la Sierra Bolivia


Santa Cruz de la Sierra Bolivia

Santa Cruz de la Sierra Bolivia

Santa Cruz de la Sierra Bolivia

Santa Cruz de la Sierra é uma das maiores cidades da Bolívia e é a "São Paulo" do país também: é bem desenvolvida para o padrão boliviano e abriga muitas empresas. O German contou que tem muitos brasileiros que vão para Sta. Cruz de la Sierra estudar medicina, por ser bem mais barato. 

De noite ainda fomos jantar no restaurante "La Casa del Camba" (Av. Cristobal de Mendoza, 1365 - Zona segundo anillo). 'Camba' é a maneira como são chamadas as pessoas de Santa Cruz. O restaurante era muito bom e como queríamos provar um pouco de tudo, a Cecí, esposa do German, que é boliviana, pediu o Buffet Típico para quatro pessoas (165 Bs), daí provamos apenas: 

1) Majadito de Pato
2) Majadito de Charque de Vaca 
3) Picante de Pollo
4) Queperi de Carne de Vaca 
5) Locoto (uma pimentinha que é ó, uma delícia) 
6) Arroz con Queso y Arroz Primavera
7) Yuca Frita (mandioca)
8) Huevo Frito, Chuño y Ensalada
9) Llajua - Escabeche de Cebollitas
10) Cerveja Huari 

la casa del camba bolivia santa cruz de la sierra


























Eu sei que provavelmente essa é a foto mais feia de um banquete que você já viu. Mas quem gosta de comer vai entender a poesia de não conseguir tirar uma foto direito de tanta fome. Quem gosta de comer vai, inclusive, admirar meu autocontrole modesto para conseguir  interromper minha refeição e fazer, ao menos, esse único breve registro. Quem gosta de comer vai ficar com água na boca mesmo assim, don't let me down. 

Comemos ao som de Taquipari (sempre me seguro para não dizer taquipariuu) e Chovena, músicas típicas da região. O restaurante tinha um palco onde as grupos de dança se apresentavam. Pode parecer bem turístico de cara, mas apesar disso, é um lugar em que turistas e locais se encontram. Enquanto estávamos lá, a Ceci encontrou, por acaso, seu tio, que jantava com a família toda. Ou seja, é um lugar bacana para todo mundo. 

Não lembro exatamente o valor da conta no final, mas dividimos por quatro e deu cerca de R$ 20 para cada um. Na Bolívia, quem converte se diverte! hahaha 
Bom, a verdade é que por pouco menos de R$ 40 conseguimos dormir bem, um 'guia' da cidade e conhecer lugares da cidade que não teríamos conhecido por outra maneira. Clicando aqui você pode acessar o perfil do German, cuja acomodação eu super recomendo! 


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Compras de urgência na Bolívia

No meio de tudo que você precisa comprar e preparar para um mochilão tem tanta coisa, que você pode acabar esquecendo cartões de memória extras, assim como eu, esperta.

Chame de ingenuidade, burrice, whatever, haha, mas fomos passar 15 dias viajando e eu levei um cartão de memória com 8gb e um pen drive com a mesma capacidade, apenas. Óbvio que em uns 5 dias tudo isso já estava cheio.

Por sorte, estávamos em La Paz e fomos ver quanto custava. Para surpresa e felicidade, tanto o pen drive, quanto um cartão de memória, ambos com 8gb, custavam 80 Bs, uns R$ 30! No Peru, custava o mesmo, só que em Soles, e devido ao câmbio saía um pouco mais caro, cerca de R$ 65.

Aqui no Brasil me lembro que a última vez que pesquisei o preço para essa capacidade, estava entre R$ 60 e R$ 150 (isso lá no Boulevard Monti Mare, na Paulista, que em geral é mais barato que o normal).

Dica dada! Nada de ficar desesperado porque encheu seu cartão com fotos do Salar, pode sair tirando um milhão de fotos de novo, uhuuuul
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