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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Samba na Pedra do Sal, no Rio de Janeiro

Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha ido lá para ver: a Pedra do Sal, no Rio de Janeiro. Eu achava que a Lapa era demais (ainda acho), mas agora quando eu for pra Cidade Maravilhosa, ela terá concorrência pelo menos até a meia noite - mais ou menos a hora em que as coisas acabam lá pela Pedra do Sal! 

Cheguei lá numa sexta-feira, umas 22h... Imagina uma encruzilhada lotaaada de gente, um grupo tocando aqueles sambões que até quem não curte samba, se rende?? Então! Foi bem no meio da Copa do Mundo, então tava lotado de turistas, mas também de muita gente que é do Rio - e que na verdade, era a grande maioria lá! 



Falando nisso, é muito comum que quem esteja viajando sempre queira conhecer coisas que quem mora na cidade faz. E a Pedra do Sal é um dos lugares que é TÃO brasileiro, que as vezes nem nos damos conta. Acontece que o samba que acontece hoje lá, vem acontecendo desde quando esse pedaço do RJ era conhecido como Pequena África, onde os escravos se concentravam. Na verdade, se trata de um período que mudaria a história do Brasil todo. 

Nessa região, que fica próxima ao porto da cidade, é o lugar onde os escravos libertos foram morar. Mas não foi ao acaso: ali estavam concentrados vários terreiros de umbanda e candomblé, religiões intimamente ligadas aos antepassados africanos desses ex-escravos. Escravos que vieram da Bahia para o Rio logo após o fim da escravidão também se alojaram por ali. Ou seja, o círculo social de todos os negros acontecia nessa região e, de batuque em batuque, tocando muito pandeiro, violão, cavaquinho e mão, esses negros é que deram origem ao samba urbano carioca, precursor do que conhecemos hoje. Não é a toa que Vinicius de Moraes se derretia tanto pela história desse povo! 

O RJ passou por uma grande transformação no início do século 20, devido a muitas doenças que se proliferaram. A revitalização foi bem prática: destruir uma área de aproximadamente 100 mil m², entre a rua Senador Eusébio, a rua Visconde de Itaúna e o canal do Mangue para dar origem a que conhecemos hoje por Avenida Atlântica. 

Hoje, esse espaço da Pedra do Sal é Patrimônio Histórico e Religioso do Rio de Janeiro e tem uma importância imensa! Imagina só: você tá dançando e ouvindo samba em um lugar que conta uma história que foi apagada de outros pontos da cidade… sem contar que é bom demais!!! Além disso, esse foi o bairro que criou a ideia que temos hoje de favela (vale a ida na exposição do Valongo a Favela: Imaginário e Periferia, que tá rolando agora no Museu de Arte do Rio).

Ah, mas e o nome? bom, o nome vem porque antes aquilo era bem próximo do mar, ou melhor, o mar é que estava próximo dele. E dali eles embarcavam…. sal! 

Para quem quiser saber quando vai ter o que por lá, é só acompanhar pelo face do pessoal PEDRA DO SAL. BTW, parabéns cariocas por terem espaços assim! (aqui em SP a única coisa que eu já vi parecida foi a Vila Madalena durante a Copa... e já acabou).

Se alguém tiver interesse em saber mais sobre essa época do Rio de Janeiro, indico os livros A Busca da África no Candomblé, da Stefania Capone, e As Religiões no Rio, do João do Rio. Sim, tem muito outros, mas esses foram os que eu li ahhaha!

Beijos!!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Cachaça de Paraty: Maria Izabel

Eu gosto de cachaça, de gostar mesmo. Mas tenho que confessar que queria conhecer o alambique da Maria Izabel, antes de tudo, porque queria conhecer a Maria da Maria Izabel, sabe? E, claro, depois a cachaça dela. 

Apesar dela ter avisado que deveríamos ligar antes de aparecer por lá, decidimos ir no domingo que estávamos em Paraty, antes de voltar para Campinas, sem avisar mesmo. 

Paraty tem cerca de sete alambiques e, dentre todos eles, o único que não tem nenhuma sinalização para chegar, é o da Maria Izabel. O mistério já começa daí. Tínhamos visitado quatro alambiques no sábado, e deixamos dois para o domingo. Quando estávamos indo para o da Maria Izabel, tínhamos um mapa, mas não achamos a saída. A gente já suspeitava que ela não colocasse nenhuma sinalização pela estrada. Um senhorzinho ajudou e logo achamos a saída certa, e, depois de uns cinco minutos, chegamos na porteira do sítio dela. Que lugar lindo. 

Estacionamos e fomos entrando. A primeira cena que vimos foi essa:

cachaça Maria Izabel Paraty

A Maria que eu queria conhecer estava realmente ali, tal como tinha visto antes na internet: descalça. Engraçado que a gente repare tanto nisso e que acabe achando tão exótico o que, na realidade, é tão natural. 

Pegamos a metade da explicação que ela estava dando para os três casais que estavam lá. Muito, muito calma ela explicava como cada cachaça era feita, a diferença entre cada um dos rótulos, tempo de armazenamento e tipo de madeira. Engraçado que essa visita é grátis e todo mundo pode provar as cachaças - e ela faz questão que as pessoas experimentem! Super atenciosa, ela respondia todas as perguntas com a maior paciência, batia papo... tranquila, tranquila! 

Enfim, a Maria Izabel era tudo aquilo mesmo que eu pensava e as cachaças dela ainda mais! 

cachaça Maria Izabel Paraty

Ela produz quatro tipos de cachaça:

 - a branca, armazenada em tonéis de jequitibá; 
 - a envelhecida, armazenada por no mínimo 12 meses em barris de carvalho; 
 - a Cachaça Azulada, essa aqui só dá para comprar lá no alambique dela por motivos de: no processo de destilação, são colocadas folhas de mexerica no caldo da cana já fermentado. O problema desse processo é que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) (ainda) não tem como verificar a procedência das folhas usadas (oh céus). Dessa maneira, não consegue certificar que ali estão sendo utilizadas as boas práticas de fabricação. Mas essa cachaça é um espetáculo! Você dificilmente encontrará fora de Paraty, até porque, essa é uma das “especialidades” da cidade! 
 - a última é a Reserva Especial, envelhecida em barris de carvalho por mais de dois anos! 

cachaça Maria Izabel Paraty

Daí beleza, a pessoa mora num sítio num cantinho lá de Paraty, num finzinho de mundo. E aí, você vai fuçar e descobre que quem criou o rótulo da garrafa dela foi ninguém mais, ninguém menos que o mesmo cara que fez a capa dos livros da série Harry Potter, Jeff Fisher! 

cachaça Maria Izabel Paraty
Apesar do Lula também curtir uma caninha, foi o Fernando Henrique Cardoso que, em 2001, assinou um decreto que determinava que uma bebida só seria juridicamente reconhecida como "cachaça" se fosse o destilado feito a partir do suco da cana-de-açúcar E produzido dentro do território brasileiro. Então, sim! Se é cachaça, obrigatoriamente é brasileira <3 

Para saber mais: www.mariaizabel.com.br

domingo, 29 de junho de 2014

Um homem precisa provar. Por sua conta, não por meio de imagens

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu." 

Sabe essa frase? Então, digamos que ela me motivou a fazer o que eu fiz. Imagina a cena: Lapa, Rio de Janeiro bombando durante a Copa, terceiro bar da noite e contando. Todo mundo já enxergando azim. 

Chegamos na Casa da Cachaça, no meio de todo o movimento da Mem de Sá. O plano era pedir pela tradicional e imperdível cachaça de gengibre. Chegamos, pedimos... enquanto nós quatro esperávamos pela dose, alguém disse rindo, OLHA SÓ, CACHAÇA DE FEIJOADA. 

Não pedi, mas fiquei com aquilo na cabeça né hahaha Pensei: adoro cachaça, adoro feijoada!

Fomos para a calçada e quando voltei para pegar mais uma dose, achei que devia provar, porque, você sabe... "um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias" HAHAHA comecei a perguntar para o pessoal que trabalha lá quem já tinha provado. Perguntei pra três caras, nenhum deles. Aí uma menina que tava no balcão disse que já tinha tomado aquela e a de alho. Já fazia tempo que tinha passado da meia noite, então eu tava muito corajosa... mandei trazer! oh céus. Acho que pela minha coragem, a menina me deu como "prêmio" uma dose da cachaça de alho também. 

rio de janeiro cachaça



A moça me trouxe as duas doses e eu ficava adiando começar a tomar com a desculpa de que tinha que explicar para dois portugueses que tavam ali do lado a diferença entre cachaça e aguardente. Mas, no final das contas, tomei.

Olha, não foi legal, não HAHAHA. É bem óbvio que eles só deixam essas garrafas lá para quem tá muito bêbado ou com coragem...  Como diz uma amiga minha "Não GOSTO de tudo que você come, mas sou fã número um do PROVAR!", tô mantendo esse raciocínio :) 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Para se sentir no Rio de Janeiro: moela

Hoje é segunda-feira, mas acho que fiquei mal acostumada por todas as comidas de bar que comi no sábado, que já estou com saudades. Dos petiscos e também das férias, do carnaval, do Rio de Janeiro... que foi exatamente onde eu comi moela pela primeira vez. Acho engraçado que a gente só entende que não manja de nada, quando acaba de conhecer uma coisa nova. Eu pensava que tava sabendo de tudo porque comia joelho de porco, daí, PAN, fui pro Rio passar o carnaval e fui apresentada à moela. IN YOUR FACE, GIU! 

Em minha defesa tenho a dizer que esse prato não é devidamente valorizado e, se eu nunca tinha provado, foi por falta de conhecer. Como podemos não querer algo que nem sabemos existir? Pois bem. Acontece que eu também gosto de estar num lugar e conhecer um prato novo que, de preferência, eu consiga fazer quando estiver em casa. Porque aí, quando eu estiver em casa e fizer aquele prato, vou lembrar do lugar onde eu comi ele pela primeira vez e das pessoas que estavam comigo. Afinal, comer é sempre sobre partilhar. (menos quando eu tô com fome demais e não quero dividir RERE)

Por isso, com muita honra, trago aqui a receita da Moela da Camille e do Obama que, cada vez que eu faço, dou uma adaptada de acordo com a situação da geladeira! hahaha Uma das melhores coisas sobre a moela é o preço dela. Da última vez que comprei, em Campinas, paguei R$6 por um quilo e meio! Delícia. Vamos ao prato:

os ingredientes:
1 kg de moela 
meio pimentão verde
meio pimentão vermelho 
2 tomates 
1/4 de cebola 
1 dente de alho 
bacon (a vontssss yessssss)
calabresa (opcional)
salsinha 
cebolinha
coentro (opcional)
batata (opcional)
óleo 

1- Comece limpando a moela. O objetivo é tirar essas partes amarelas que aparecem aqui nas fotos. Nem precisa de faca, só a força da água e ir puxando com a mão já é suficiente. Mas é importante tirar tudo! A moela é como se fosse o estômago do frango e essas partes amarelas são restos de ração/milho (ou qualquer outra coisa que não precisamos saber), ou seja, LIMPA ISSO! 

moela receita Rio de Janeiro
moela receita Rio de Janeiro
2 - Depois que está limpo, colocar na panela de pressão por uns 20 minutos. 

moela receita Rio de Janeiro
3 - Aí, enquanto a carne cozinha, você vai cortando os outros ingredientes, pimentões, tomates, cebola, bacon, calabresa… e tomando cerveja.

moela receita Rio de Janeiro
moela receita Rio de Janeiro

moela receita Rio de Janeiro


moela receita Rio de Janeiro

 4 - Eu coloco coentro na receita, mas tem gente que não gosta e, mesmo quem gosta, tem que tomar cuidado porque ele tem um sabor bem pronunciado, então se colocar demais, fica difícil depois, hehe 

moela receita Rio de Janeiro



moela receita Rio de Janeiro

5 - Quando os vinte minutos da pressão terminarem, tire a moela e reserve a água, metade dela vai servir para mais tarde.
6 - Coloque óleo em uma panela e refogue o alho, cebola, bacon, calabresa (nhami)…. depois de um pouquinho, jogue o tomate, pimentão, batata… quando tiver aquele cheiro maravilhoso, comece o próximo passo:
7 - Joque a moela de volta e dê uma misturada, e um pouquinho depois, coloque um pouco daquela água do cozimento, o suficiente para cobrir todos os ingredientes.

moela receita Rio de Janeiro
moela receita Rio de Janeiro
 8 - Deixe tudo cozinhar por 20, 30 minutos e quando você não conseguir mais sentir o cheiro sem salivar, é porque tudo está pronto.
tcharammmm:

moela receita Rio de Janeiro
Para acompanhar, caipirinha (de cachaça, né) de laranja e pãozinho. 

EEEE, só comer agora :) 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Carnaval Lado B no Rio de Janeiro - O QUE TEVE

Fui passar o carnaval no Rio de Janeiro. Apesar da minha pouca vocação para sambas-enredo, blocos e afins, eu estava empenhada em participar de alguns dos 800 e tantos blocos que a programação do carnaval de rua desse ano previa.

Mas uma pessoa não foge à sua natureza e, em meio a tantas marchinhas, tenho que admitir que apesar de ter ido nos blocos Multibloco, na Lapa, e no Sargento Pimenta, o saldo final me faz ver que o que eu mais gostei de participar foi do bailinho ao ar livre da fanfarra Os Siderais, com participação dos chilenos da Banda Rimbambum e dos franceses do Les Vilains Chicots.

Tudo começou logo depois do show do Casuarina, que tinha acontecido na Praça Tiradentes. Eles tocaram no Largo São Francisco, entre o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e a Biblioteca Real - Gabinete Português de Leitura (que aliás, quero muito ver por dentro!) 












A maioria das pessoas estava fantasiada e parecia ter ido direto do bloco/show que fosse! Eu sou uma pessoa bastante incrédula e achava que "quase ninguém" saísse fantasiado no carnaval do RJ. E acabou que eu é que parecia um ET sem fantasia nenhuma! Mas tentei remendar com uma maquiagem mais extravagante, hehe. 


Voltando ao Largo São Francisco: o lugar estava bastante vazio comparado com blocos e a maioria dos lugares onde o carnaval se manifestava, mas gostei disso! Por isso o Lado B do título. Fomos para um lugar que não estava no roteiro e que na verdade ficamos sabendo porque uma das pessoas que estava com a gente - e que era do RJ - sabia e chamou todo mundo para ir! Goxtei e aqui embaixo tem um vídeo com os highlights - haha - do bailinho:



Isso me lembrou um pouco as festas que têm no IFCH da Unicamp. Embora eu não seja frequentadora assídua, a vibe parecia ser a mesma.

E o carnaval de vocês, QUE QUE TEVE?

Bjos!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Rio de Janeiro: Feijoada de Frutos do Mar no Makoto

EEEEEEE Carnaval, todo mundo indo ou chegando em algum lugar, seja pela festa, seja para se esconder dela! Sei que um monte de gente tem como destino o Rio de Janeiro e, assim como eu, vai pros blocos morrer de pular. E como eu não entendo nada de Carnaval - esse é o primeiro que eu não vou passar na frente da TV! - vou me conter e apenas recomendar um lugar para comer no pós bloco/balada.

O Makoto é, na verdade, um restaurante que se propõe a fazer culinária asiática, mas eu não provei nada que envolva os países de lá. O que comi foi uma feijoada de frutos do mar! Já tinha vontade de provar isso desde que a Ana Luiza Trajano 'lançou' em SP.

Chegamos no Makoto por acaso. Na verdade, queríamos ver a ruazinha em que ele fica, a Travessa do Comércio. É um lugar super charmoso, e já foi endereço da Carmem Miranda entre 1925 e 1932. A casa dela tem uma plaquinha identificando. Tem vários restaurantes nessa travessa, e enquanto a gente esperava, incontáveis tours passaram por lá. Ok, é um lugar bastante turístico - diz-se que um dos dez pontos mais visitados no RJ - mas é bastante agradável e o preço bem justo.

O garçom disse que o prato era individual, mas imaginamos que seria muito para uma pessoa só, e fizemos bem em dividir: com R$ 38 os dois comeram e ainda sobrou! Ah, e nem precisava ficar 'pescando' os frutos do mar, tudo bem generoso! De quebra, ainda tinha um sambinha ao vivo MUITO BOM! Fomos num sábado, mas no site do Makoto diz que eles têm programação para todos os dias!

O endereço certinho é: Travessa do Comércio, 15, Arco dos Teles, Praça XV. Fica no centrão do RJ.
Restaurante Makoto
O arroz parecia sim de comida japonesa, mas o molhinho de pimenta estava uma delícia e a farofinha também!
feijoada de frutos do mar no makoto
Sentamos lá fora, mas a parte de dentro parece ser bem gostosa também

feijoada de frutos do mar no makoto
Vista da janela do banheiro, hihi



Bom carnaval, pessu!!

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