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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Problemas na Itália: Entre Tapas e Beijos

Estação de trem de Milão, esperando o trem para Verona


Sempre que vamos programar uma viagem tentamos calcular a probabilidade de coisas que podem dar errado, mas eu imaginava situações do tipo "estou levando um casaco a menos, talvez eu passe frio". Mas é, o dia de todo mundo chega e viajando sozinho então, chega mais rápido ainda!

Quando decidí fazer minha viagem pela Itália, inicialmente eu e a Marta íamos juntas. Só que alguns planos foram mudando e cada uma decidiu ficar mais tempo em um lugar, mais em outro, então sempre rolava uma diferença no timing que cada uma chegava e a outra partia. A primeira cidade onde passei, tudo correu muito bem, obrigado! Milão tinha temakeria brasileira, brasileiros e host muito gente boa achado no Couch Surfing! Passei lá duas noites e a próxima cidade era Verona, para onde eu iria sozinha.

Você acha que em Verona tudo é romance?

Essas cidades menores da Itália, além de serem pitorescas, são mais caras e raramente têm hostel na área urbana. Então eu fiz uma reserva no Leoni Bed & Breakfast, que era próximo do que eu queria e também acessível. Bom, assim que cheguei à estação de trem, vindo de Milão, fui tirar dinheiro, já que esse e o meu próximo hostel não aceitavam cartões de crédito. Para minha sorte, e vocês já entenderão o porquê disso, escolhi tirar uns 100 euros. O dinheiro saiu, mas meu cartão foi engolido. Que beleza. Eu com uma mochila de 15 quilos nas costas, peguei o recibo do que tinha acontecido, fui até meu 'hostel', deixei minhas coisas e comecei a procurar a agência principal do banco cuja máquina estava na estação.

Um atendente ruivo apareceu e para minha sorte, falava inglês, já que eu não tinha paciência pra tentar o "mangiare que te fa bene" de cada bate papo ítalo-brasileiro. Ele conferiu o papel que eu dei, confirmou que a máquina era responsabilidade do banco, começou a fazer algumas ligações e pediu que eu aguardasse uns minutinhos. Aí, passado uns dez, ele me chama bem calmamente e começa a me explicar que aquela máquina era somente operada por outra máquina (eu imaginei tipo um caminhão de lixo, que ao invés de recolher, deposita dinheiro e leva embora eventuais cartões engolidos), e que portanto, nenhum nobre cidadão estava autorizado a tocar no meu cartãozinho. Mas que para o meu bem, assim que ele fosse encontrado sabe-se lá por quem, onde e quando, ele seria enviado de volta ao Brasil, novamente, sei lá para quem, para onde e quando, sendo que eu só colocaria os pés de volta na terrinha em pelo menos seis meses. NICE. Me acalmei e consegui não dizer qualquer coisa ruim para o maledeto, porque ele não estava autorizado a mexer na tal máquina, já que, oras, ele próprio não era uma máquina!

Percebi que o jeito era começar a solucionar meus problemas, ao invés de ficar gorando todo mundo mentalmente. Liguei no meu banco, a primeira coisa que me disseram foi "Tudo bem, seu novo cartão chegará de 3 a 5 dias úteis. Você só precisa passar o endereço para onde ele deve ser enviado". Chegamos no segundo problema: eu não sabia aonde estaria em cinco dias! Mesmo assim, respirei fundo e pensei que aquele era um problema que pertencia à Giu do futuro, e que a Giu do presente devia ir conhecer a cidade e se preocupar com esses 'detalhes' só de noite.

Fui, andei, gastei parte do dinheiro que eu tinha para visitar a casa da Julieta (não recomendo, mas isso é assunto para outro post), escrevi postais,entrei em igrejas, tirei fotos... Bom, no fim disso tudo eu já estava mais tranquila e calma pra resolver meus problemas, voltando para o hostel. Aí eu ví uma igreja e resolvi tirar foto dela com o tripezinho que tinha vindo junto com a minha câmera nova, já que já era de noite. Armei tudo, coloquei em cima de um murinho. Antes de conseguir sair qualquer foto, veio um vento, derrubou tudo no chão e a câmera, que estava com a lente para fora, ficou toda amassada, perdeu a capacidade de focar ou de mover a lente. NICE 2.

foto de Giuliana Ananias Wolf
Antes e Depois:  tivesse eu ficado satisfeita com a primeira foto e parado de tentar a perfeição...














 É, ví que não era meu dia, então voltei ao hostel para começar a solucionar meus problemas. Nessa mesma noite, com todos esses contratempos, começou a me dar uma alergia nos braços e nas pernas, acho que por stress... não tinha comido nada de diferente ou tomado remédio.

O pessoal do cartão pediu o prazo de 3 a 5 dias úteis para chegar um novo, só que eu tinha que dar o endereço para onde ele seria enviado, certo? Nesse tempo, eu estaria em Bolonha e anteriormente tinha programado ficar lá uns 3 dias, com esse prazo tive que esticar para ficar uns 5, já que tinha um fim de semana no meio. SÓ QUE, o único hostel que existe em Bolonha, fica fora da cidade, meio que no meio do mato, aí não dava, né.. Achei um hotel 1 estrela, na promoção e reservei duas diárias, esperando que meu cartão chegasse na sexta-feira, ao invés da segunda-feira (como era possível). Pensando já na possibilidade de eu ter que ficar lá até segunda-feira, fui a um encontro de Couch Surfing, pensando em encontrar alguma casa onde eu pudesse ficar =B

foto de Giuliana Ananias Wolf
Veneza: as únicas fotos que tenho são do cel :( mimimi










O encontro aconteceu num pub, tinha (claro) italianos, russos, ingleses, super legal! Todo mundo era muiiiito gente boa, e de cara, já encontrei três pessoas que se despuseram a oferecer seus sofás, caso eu tivesse que passar o fim de semana em Bolonha. Obviamente meu cartão acabou não chegando até a sexta feira, então eu deixei avisado no hotel que algo chegaria em meu nome e fiquei na casa do Pietro durante o fim de semana. Conheci tanta gente e tantos bares que só isso já rendia um post (e vai render). Aliás, foi na companhia dele que eu conheci a Melania, como eu contei aqui.

Ah, também não posso esquecer de mencionar que minha dieta na Itália era constituída integralmente por pizza e sorvete (receita da felicidade)... mas tanta felicidade tem seu preço: na minha última tarde em Bolonha fui ao correio enviar vários postais e do nada minha pressão baixou, caí no chão, desmaiei e tal, mó cena! Mas a italianada toda veio me acudir, então depois de uma meia hora sentada consegui levantar e ir embora! =)


foto de Giuliana Ananias Wolf
Tortas, pizzas, sorvete, fritura, petiscos... a base da minha alimentação na Itália!


































Ah, nessa época também estava muuuito frio, todas as manhãs eu escutava "hoje neva, hoje neva!", e eu, bobona que nunca tinha visto isso, ficava toda deslumbrada esperando, né. Mas tive qu partir para Florença, ou seja, mais para o sul da Itália e sabia que as chances de nevar diminuiam também. Nice 3.

Cheguei! Eu fiquei meio perdida, não sabia direito para onde ir, então peguei um taxi para ir até meu hostel. Entrando... quelle surprise! O hostel deixava a desejar em quase todas as maneiras possíveis, como eu já contei aqui. Assim que cheguei, liguei meu computador e ví fotos no facebook dos amigos que eu tinha feito em Bologna: meio metro de neve nas ruas. E pra mim, e pra mim?? Nada! ahahhah Decidí ir para o pub super simpático que havia alí perto e saindo na rua percebí uma coisa diferente na chuvinha que estava caindo: ela era um pouco mais sólida e um pouco mais branca do que o comum! Ví também que no meu casaco preto ficavam umas marquinhas brancas, ou seja, de uma maneira míííínima eu estava vendo neve!!! Uuhhhhhuuuulll! Entrei no bar, pedí uma cerveja e comecei a mandar mensagens aos meus amigos de Bolonha contando a "novidade". Muito bom, muito bom!

Só depois de todoooos esses perrengues é que fui encontrar a Marta de novo. Combinamos de nos encontrarmos em Florença para irmos até Pisa juntas. Após isso, comecei a me progamar já para ir até Roma, comprar tickets do trem e tal. Chegando lá, mais ao sul ainda, não esperava ver muita neve. Mas aí fui surpreendida novamente: nevou DEMAIS, demais, demais. (contei aqui). Achei que não haveria qualquer cotratempo nessa cidade, por já ser familiar, mas obviamente eu estava errada. No último link aqui em cima, tem também a história dos Pelados em Roma! A parte boa disso tudo é que no meu quarto estava um casal de brasileiros. Conversando com eles, a moça me disse que tinha acabado de se formar em Medicina, especialização? DERMATOLOGIA! Na hora pedí para ela ver meu braço, porque minha alergia ainda não tinha melhorado. Ela confirmou, disse que logo aquilo passava e disse que a pomada que eu estava usando era a certa mesmo! Ufa!

Bom, gente, o texto tem vários links porque contar a história toda de 15 dias aqui ficaria longo demais, além disso, cada uma das histórias linkadas são boas demais e merecem um post próprio :))

E além disso, por mais que nessa viagem muitas coisas não tenham dado certo, a Itália conseguiu ser o país que eu mais gostei de conhecer, porque voltei com a sensação de realmente tê-lo conhecido, ainda que tenha passado 'só' por Milão, Verona, Veneza, Bologna, Florença, Pisa e Roma. As pessoas, a comida, as festas, os vinhos, tudo, tudo, tudo!

No fundo, isso é também para encorajar quem tem a vontade de viajar, mas fica sempre esperando os amigos exatos para ir, ou uma oportunidade perfeita, coisas raras, sinceramente. O jeito é aproveitar do melhor jeito, da maneira possível, porque no fim, os perrengues sempre são boas recordações e histórias para se contar.

Beijos, Giu!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Hostel na Itália: Pelados em Roma

foto de Giuliana Ananias Wolf
O Coliseu todo coberto de neve em Fevereiro de 2012.

A história que eu vou contar agora seria muito mais engraçada se não fosse trágica. É que essas histórias de hostels sempre seriam melhores se tivessem acontecido com amigos nossos, mas quando é com a gente... 

Bom, quando fui à Roma fiquei no famoso Yellow Hostel. Já era a segunda vez, e na primeira tudo havia corrido muito bem. Esse lugar é famoso por ter um ambiente muito divertido e gente acaba mesmo fazendo amigos de maneira muito rápida lá. Afinal, o que esperar de um lugar cuja única área comum é um bar? =D 

Eis que no final de fevereiro deste ano, escolhi ficar num quarto com seis pessoas, já que recém havia passado por situações mal-cheirosas em outro lugar (como eu contei aqui). Eu não conhecia ninguém que estaria lá comigo, mas logo fiz amizade com todos no quarto: um casal e mais um rapaz, todos brasileiros, um americano e um grego. Na primeira noite em que o quarto estava com essa configuração, as coisas correram muito bem. Com exceção do americano, eu e o quarto todo, mais uma amiga minha que também estava ficando lá (Oi Martaa!), descemos ao bar, tomamos uns drinks e voltamos para dormir, pois o dia seguinte seria cansativo.

Tudo bem, tudo lindo. No dia seguinte Roma amanheceu ainda mais fria e havia neve para todo lado. Não sei ao certo há quanto tempo é que não nevava daquela maneira. Lembro que quando eu estava lá, ouvi de tudo entre cinco e trinta anos! A questão é que era nítido que a cidade não estava preparada para o susto que levou: o Coliseu, o Fórum Romano, o Palatino tiveram de ser fechados e as escolas também. Então não foi nada fácil se ocupar o dia todo de andar em uma cidade com a maioria das atrações turísticas fechadas, tendo de aguentar o frio de 0º AND a roupa e os pés encharcados! Mas ué, viemos para turistar, né? O casal ficou andando a esmo, já que nada estava aberto. O grego, fotógrafo que era, saiu mais cedo do que todo mundo para fazer fotos daquele acontecimento. Eu, o Guilherme (o outro brasileiro do meu quarto, e que também aparece nesse post aqui) e a Marta (morava comigo aqui em Porto e também estava em Roma), fomos andar pelas atrações e tirar fotos com bonecos de neve. Weeeeeeee

foto de Giuliana Ananias Wolf
Eu e a Marta tentando posar pra foto no Vaticano e a situação das motos na rua.


Independente do que cada um havia feito, todos estávamos muito cansados, então descemos para outros drinks! Eu e os dois meninos fomos antes, um pouco depois chegou o casal. Quando a Mariana* e o Lucas* encostaram na mesa, já logo disseram que ela havia perdido a carteira e que teriam de porcurá-la e saber o que podia acontecer com os cartões que estavam lá dentro, enfim, seguir o protocolo de quando algo do tipo se dá, então voltaram ao quarto. Depois de, sei lá, uns quarenta minutos decidimos subir também. 

Quando entramos no quarto os dois estavam olhando o computador para buscar as informações necessárias, mas a primeira coisa que fisgou nosso olhar foi a beliche que, de frente para a porta, habrigava dois homens dormindo juntos e nus na cama de cima. É. Quelle surprise. Um deles era o americano, o outro, um funcionário do hostel que era filipino. Os casal brasileiro disse que antes que eles descessem para o bar, um pouco mais cedo, os dois estavam chegando ao quarto e foram também convidados a se juntar a nós. Eles disseram algo do tipo "Não, a gente já bebeu muito, mas vão vocês e fiquem por lá um tempo"...  Quando então, eles retornaram ao quarto para cuidar dos cartões da Mariana, tinha muita ação rolando e ninguém se sentiu constrangido de continuar... (e depois brasileiro é que é tudo safado, né?!) 

Para o azar do Guilherme, todas as roupas e lençóis dos dois de cima, agora um casal, haviam caído na cama dele. A cena era tão surreal que ninguém tinha muita reação de primeira. Depois de uns 10 minutos tentando acordar qualquer um dos dois sem sucesso, chamamos um rapaz da recepção para tratar daquilo. Quando ele chegou, ficou beeem sem graça por ver que parte do problema era o colega dele, que além de trabalhar no hostel, estava completamente bêbado e incampaz de entender o que estava acontecendo. Daí começaram a acontecer as coisas mais bizarras que eu já podia ter visto. O funcionário começou a ajudar o filipino a se vestir, enquanto que o americano se enrolou nos lençóis e SALTOU de cima da beliche, se estabacando no chão. Depois disso, o Guilherme pediu que todas as coisas que haviam caído em seu colchão fossem retiradas, assim como a própria roupa de cama que lá estava antes. O funcionário voltou em poucos minutos com tudo novo. No entaaaanto, o americano se sentiu ofendido com isso,  falou qualquer provocação e saiu do quarto. 

Passados uns dez minutos, outra funcionária do hostel chegou. Quando questionada sobre o que seria feito do que havia acontecido há pouco, ela fingiu não saber do que se tratava e disse que qualquer reclamação deveria ser feita com seu gerente na manhã seguinte, pois ela não estava mais em seu expediente. Mesmo assim, NÃO ESTANDO EM SEU EXPEDIENTE, ela usou a chave do hostel para abrir a porta do nosso quarto, não bateu ou pediu que nós abríssemos. Só depois de perceber que ninguém estava satisfeito com a situação e que nós sabíamos que aquilo não tinha sido certo, começou a dizer que precisava saber o que realmente havia acontecido alí, que seu amigo havia ficado muito bêbado e não sabia o que tinha acabado de fazer, que ele estava chorando do lado de fora da porta e tudo mais. Sempre que perguntávamos "E então, o que será feito sobre isso?", ela dizia "Vocês têm de falar com o meu gerente, mas eu juro, meu amigo é a pessoal mais fofa e legal do mundo"...

Decidimos fazer algo no dia seguinte, então, já que nada seria resolvido alí. O problema é que o americano voltou ao quarto e começou a provocar todo mundo, querendo fazer o ofendido, especialmente com o coitado que estava na cama de baixo da dele. Ele não disse nada claramente, mas pudemos perceber que ele queria fazer com que parecesse que todos estavam reclamando da situação pelo detalhe de serem dois homens pelados na cama, ao invés de um homem e uma mulher, o que não era o caso. Logo que se percebeu isso, todo mundo parou de responder às provocações, pois percebia-se que ele buscava um mínimo motivo para começar uma briga de verdade, totalmente sem razão. Foi só a gente se deitar, que ele começou a fazer uns cantos, assim, assoviando, bem bizarros, tipo alguém da selva. E aí, como se não bastasse, ficou saltando de cima da beliche todas as vezes que precisava pegar algo, tipo seu ipad, encarando todo mundo e tal. Achei mesmo que nossas coisas estariam todas zuadas de manhã. 

A última da noite foi quando, à 1 da manhã, o Lucas disse que apagaria a luz do quarto, já que todos estavam prontos para dormir. O americano disse que não, que a luz deveria ser deixada acesa, só porque ele queria, e que não existia regra nenhuma dizendo o horário que ela devia ser desligada, muito embora estivesse colado na parece um cartaz com as regras do hostel, entre elas uma que dizia "TENHA RESPEITO PELOS COLEGAS EM SEU QUARTO, NÃO FAÇA SEXO AQUI". Bom, depois de cinco minutos de discussão, o Lucas disse então que desceria para falar com alguém responsável, já que a situação era ridícula. Finalmente, o americano sossegou.

Achei essa foto das regras! (from http://myspanishpipedream.blogspot.pt/2011/02/romeitaly-that-is.html)

No dia seguinte, todos saímos para mais um dia de turismo e deixamos as coisas mais trancadas DO QUE NUNCA. O casal de brasileiros pediu no hostel que o americano fosse realocado, já que era ele quem estava causando o desconforto entre todos. Nenhum dos três pedidos foi atendido, pelo menos até o momento em que eu fiz o check-out. A impressão que tivemos, é que eles queriam pôr a coisa toda em panos quentes, e foi o que aconteceu.  

Com essa história toda, pelo menos todos os que ficaram aflitos, no fim, estavam mais unidos, e é indiscutível que um elo especial fazia isso HAHAHA ou deveria dizer que um anel especial unia a todos? <3 Just kiding!!!

Beijos, Giu!

*Alguns dos nomes foram alterados.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Milão: Temakeria Brasileira

foto de Giuliana Ananias Wolf
Lugar de onde eu avistei o Temakinho :)















No Brasil as Temakerias estão bem na moda, né? Pelo menos em Campinas, muita gente que eu conheço já trocava o cachorro-quente de depois da balada por um temaki! Mas por incrível que pareça, não é tão fácil de encontrar aqui em Portugal, mesmo nos restaurantes japoneses que eu já fui, não foi em todos que eu encontrei. 

Então, quando fui pra Milão, estava lá andando à toa, bem turistona mesmo com a câmera no pescoço e tal, quando de repente, ví uma Temakeria! Que não só era temakeria, como era uma Temakeria Brasileira!!! Como já fazia uma meia hora que eu tinha comido pela última vez, achei que já merecia outra paradinha hehe #gordisse

foto de Giuliana Ananias Wolf
Jantar com direito à Brahma!!! :)

Fui atentida por uma garçonete, claro, brasileira! Ela me contou que estava fazendo intercâmbio também, lá em Milão e que o primo trabalhava junto com ela no restaurante, que aliás, tinha sido aberto há apenas uma semana! Conversamos um pouquinho, ao som de bossa nova, muito bom! Pelo o que eu percebí, era a única cliente brasileira naquele momento, mas fica essa dica para os brasileiros que forem passar ou estiverem por Milão! :)

Segue o endereço: 
Ripa di Porta Ticinese, 37
20143 Milano
Tel. +39 02 8356134

 Giu

Hostel em Florença: Quando o barato sai caro



Florença em panorâmica. (foto de descobriritalia.com)

A maioria dos intercambistas que começa a se programar para viajar aqui pela Europa se preocupa em ir para os lugares mais legais, não perder as melhores atrações de cada cidade, conhecer o máximo de gente possível e fazer tudo que aparecer, só para poder dizer e realmente sentir que viveu completamente a experiência de ser um intercambista. Maaaas, a maior preocupação de todos é sempre, sempre, sempre economizar o máximo que der. Alguns tem a famosa e querida and generosa bolsa do Santander, outros tem algum tipo de apoio que a própria faculdade dá, e outros vivem com a mesada dos papais. Seja lá qual a categoria em que as pessoas se encaixem, pode ter certeza que todos os ouvidos são muito bem treinados para fisgar, em qualquer conversa num raio de cinco metros, coisas do tipo: "tenho um amigo lá", "nessa cidade tenho casa", "vou ficar de graça", ou mesmo "sei de um lugar bom e barato".

E foi assim que eu fui parar num hostel que até hoje quando eu me lembro, ainda dá vontade de sair correndo, não importa aonde eu esteja!... Tudo bem que não ouví ninguém recomendando, mas a versão online do "raio de 5 metros" acaba sendo o Trip Advisor, Hostel Bookers, Hostel World etc. Realmente, essas ferramentas funcionam na maioria das vezes, e pra mim essa foi uma das pouquíssimas experiências ruins com alojamento em lugares desconhecidos. 

Pois é, mas não teve jeito: tive um azar dos "bons". Nessa onda de economizar, encontrei um hostel em Florença, na Itália, com quartos a €8 a noite! Que maravilha, não é mesmo? Eu pensei comigo mesma "Ahhh, tudo bem que é pra dividir quarto com mais oito pessoas, sou intercambista, vou socializar e fazer muitos amigos, uhul!". Pra começar ou acabar com toda essa animaçÃaAoaO, assim que cheguei no hostel, já tive que subir seis lances de escada, com uma mochila de 15 quilos nas costas. Fui recebida pelo dono do hostel, que me disse "Olha, o quarto que você ficaria está ocupado, então vou te colocar em outro com menos pessoas e talvez depois você tenha que trocar, ok?". Ele foi super simpático e tudo, perguntou se o quarto estava bom. E sim, nessa primeira noite tive sorte, fiquei num quarto com dois casais uruguaios que eram bem tranquilos e legais, apesar de ter pago para ficar num quarto de nove pessoas. Yey, primeira parte do socializar: done! 

No entanto, tinha um detalhe que eu também só fui perceber na manhã seguinte. O hostel foi adaptado de um apartamento comum, ou seja, num espaço feito para 5 pessoas, havia pelo menos 30 e a estrutura ainda era de uma casa, leia-se falta de banheiro. Aham, para 30 pessoas havia só 2 chuveiros e 2 privadas. Vou pular a parte dos apelos na fila do banheiro quando rolavam festas no hostel #freesangria. Além disso, o hostel tinha um lock out, das 10 da manhã até as 5 da tarde todos tínhamos que sair, pois nesse horário eles faziam a limpeza do local. Assim, imagina um hostel que faz festa com bebida a vontade + pessoas bêbadas usando o banheiro assiduamente + mochileiros = IMPOSSÍVEL ENTRAR NO BANHEIRO DE MANHÃ. 

Então eu bolei um plano: todo dia eu acordava, tomava café da manhã em alguma padaria, escovava meus dentes lá (juro que não rolava no hostel, gente), e passava o dia entre sorvetes, pizzas e 'Michelangelo's' espalhados pela cidade, e assim que dava as 5 da tarde, eu já estava de volta no hostel pra poder ser a primeira a tomar um banho digno com banheiro limpo. Não me julguem, gente, porque nessa vida de viajante, já temos que abrir mão de muita coisa com a qual estamos acustumados e que fazem nosso dia-a-dia mais confortável. Já que não dá pra ter aquele sapato que combina com aquela calça, ou carregar o secador de cabelo pra todo lado, e cuidar do cabelo do jeito que eu gosto, pelo menos um banho decente eu me dou o direito, e isso só rola com banheiro limpo e água quente, né?

Bom, voltando ao meu quarto! No meu segundo dia no hostel, o dono veio falar comigo e disse que eu ia precisar trocar de quarto e ir para o de nove pessoas mesmo. Pensei, "Ah, legal, tranquiiiilo...", e foi mesmo legal e tranquilo até o momento em que o quarto não estava totalmente preenchido. Assim que as nove camas foram ocupadas por oito homens e eu me tornei a única ~lady~ no lugar, ai meu deus, que situação. Dois egípcios, três australianos, um inglês, um irlandês, um italiano e um cheiro inexplicável dividiam o quarto comigo. Sorte de vocês que eu não sou uma pessoa que sabe descrever as notas de cada 'aroma', ou de onde vêm as fragrancias, porque, olha, nesse caso, seria um estudo triste interessantíssimo saber o que compunha o 'cheirinho' de cada um deles. Mas acho que não é necessário ir tão longe, a fórmula provavelmente era bem simples, do tipo um saco de roupas sujas, somado ao suor acumulado, multiplicado pelo tempo que todos eles já estavam fora de casa, que certamente era igual ou maior que o meu, quinze dias.


Indo de Vênus a Dona Jura em uma noite

Com excessão dos dois egípcios e o italiano, todos os outros chegavam bêbados no meio da noite, e obviamente não se importavam de se trocar ali no meio do quarto e tal. Ok, eu sei, eu sei, vocês podem pensar "mas Giu, você também tinha que estar curtindo e chegando bêbada no meio da noite, ao invés de ficar de mimimis", mas acontece que eu sempre escolho um lugar pra take it easy e recobrar as energias, e já que Florença não é o lugar com as melhores baladas e tal, pra mim estava de bom tamanho tomar umas cervejas em um pub e ficar vendo futebol na TV, enquanto a neve caía lá fora. Mas também não era só isso de chegarem tarde, sabe. É que tinha um festival de ~flatulências~ no quarto, acho que era meio involuntário, já que depois de um tempo geral estava dormindo, e tudo bem, eu entendo que todo mundo faz isso, só que estar acordada justamente porque não conseguia dormir no meio daquela pirofagia toda não era tão divertido pra mim, que pensava que aquela seria uma cidade lembrada pela quantidade de arte e beleza espalhadas pelas ruas. Ao invés de me ver como a própria "Vênus" do Botticelli, tava me sentindo a Dona Jura, tendo que rir da situação e mentalizando "néééé brinquedo, não..."

Depois de três noites ficando naquele quarto não fiz muito progresso na minha socialização, porque, embora todos os meninos fossem educados comigo e tal, eles não iam conseguir negar sua própria natureza e tentar ser um pouco mais organizados e limpos, então eu ficava bem irritada toda vez que entrava naquele quarto. A única pessoa com quem eu conversei um pouco foi com o italiano, que na verdade era um funcionário do hostel e morava no quarto. Ele me contou que já tinha morado no Brasil para jogar futebol, então gostava de falar português e contar da vida que levava. Isso acabou sendo útil no fim, porque na minha última noite começou a fazer muuuuuuuito frio, aí ele pegou um cobertor a mais pra mim, coisa que ninguém mais ganhou! #BraziliansWins Hahahaha Lembro de um dos meninos australianos falando pro amigo, achando que eu estava dormindo, "Por que ela é a unica com dois cobertores?". - PORQUEEE???? PORQUEEE??? OH MEU DEUS, COMO SE EU NÃO MERECESSE!

Moral da história: pense duas vezes antes de economizar em absolutamente tudo. Ter pago uns €5 a mais por noite não teria me feito mais pobre, embora tenha me proporcionado boas histórias pra contar :) 

Se alguém quiser saber o nome do Hostel, me pergunta depois pelos comentários! E alguém sabe de algum lugar tipo "NÃO SE APROXIME"???
Beijos, Giu

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Bologna - Parte Melania


Qualquer pessoa que mantém o hábito saudável de sair à noite com uma certa frequência, em algum momento, acaba conhecendo famosas figuras dos bares e das ruas. Não falo de atrizes, cantores ou socialites, porque estes, é claro, são famosos de noite e de dia, e se quer precisam sair de casa para serem notados. Eu me refiro mesmo, é àquelas pessoas que todo mundo sempre vê quando sai. Pode ser o tio que cuida dos carros e toda vez fica no mesmo lugar. Você sabe que ele vai ficar bêbado a noite inteira, mas mesmo assim, acaba deixando o carro alí, noite após noite, e dá uns troquinhos pela integridade física do auto, e, porque, entre um 'e aí patrão' e outro 'uhhhh, a noite foi boa hoje, hein?', você também se diverte com as pérolas que ele solta. E imagine, se fora dos lugares já é assim, quando se encontra esse tipo de figura dentro dos estabelecimentos, então, é uma coisa impressionante. A luz é diferente, o álcool é tão disponível... Quem já não tem o que perder, logo, não se preocupa em manter qualquer aparência ou cumprir protocolos. Simplesmente assume o personagem, ou toma coragem para ser o que o dia não deixa.

Numa dessas andanças, havia recém chegado com amigos ao terceiro ou quarto bar da noite, eis, então, que entra uma mulher, mais para senhora, vestindo uma saia longa e rodada, com pequenos brilhantezinhos espalhados, uma blusa qualquer - que entre tudo, era o que menos atiçava os olhos -, em uma mistura de cigana com italiana, ela esbravejava palavras que escapavam à minha compreensão básica do idioma, italiano. E como num ritual, passava e repassava o batom vermelhor que carregava, intercalando este gesto com o de dar tapas, nem tão amistosos, em todos os homens que calhassem de estar ou passar ao seu lado. Eles olhavam, alguns riam, outros não reagiam. Até que o tapeado foi um dos rapazes em minha mesa. Ele só riu e comentou: "É a Melania". Ela continuou por alí, tapeando uns, resmungando qualquer coisa e tomando os golinhos de sua cerveja. Não demorou mais de vinte minutos, já lá víamos ela indo para outro bar.

Nesse primeiro episódio, tomei o conhecimento da existência dessa personalidade e, não tinha achado muito especial qualquer um dos tapas dados, e até tentei ignorar o que acontecia ao meu redor. Isso, porque no Brasil sempre que alguém te entretém ou fala com você enquanto está vestido anormalmente, em seguida acha que é obrigação sua dar alguma recompensa por aquilo, qualquer "troquinho que seja". Então, meu primeiro pensamento foi: "Ela que não me dê tapas, pra depois ainda achar que eu tenho que pagar 1 Euro!".

No dia seguinte, ou melhor, na noite seguinte, lá estava eu de novo em mais um bar. Mesmo sendo um domingo à noite, o lugar estava cheio e eu me sentia sortuda por ter uma mesa e dividí-la com um ótimo amigo. Lembro de ter me perguntado se todos os países onde não existe Faustão são assim, porque por mais que o Brasil seja considerado o país da alegria, nunca antes tinha visto tanta gente feliz assim num domingo à noite, como ví na Itália!

Bom, tudo lindo, cada um com seu copo, com sua taça ou com sua dose, whatever! Entra "a" figura para começar o show da noite. E eu tenho uma defesa contra essas situações, fico mentalizando "não olha, não ri, a pessoa vai desistir!!!", mas, por obra de alguma entidade, a Melania veio e sentou-se bem ao meu lado, onde havia uma cadeira vazia. Eu dei aquele oizinho amarelo e fiquei alí, fingindo que não era comigo. Até que, ela deu um tapa na bunda de um rapaz que estava com a namorada, ambos de pé, esperando para serem atendidos no balcão. O cara virou para trás e fez gestos para que ela se levantasse. Ela, bem despreocupada, balançava os pezinhos, como se não estivesse alí, acho que ela estava mentalizando o mesmo que eu, o "não olha, não ri, ele vai desistir!". Ainda assim, e até depois de ser puxado pela namorada, continuou, macheando coisas do tipo "Se você pode, porque eu não posso? Só porque você é mulher?". Não demorou muito, o sujeito saiu e foi fumar um cigarrinho. 

Tentei quebrar aquele clima, falei qualquer coisa pra Melania e a gente engatou uma conversa, só não me perguntem como, pois ela falava italiano, e só! Mas, com a ajuda do coleguinha na mesa, Pietro, fui matando a curiosidade, perguntando da vida pessoal dela. Ela contou a ele, que depois traduziu para mim, que havia sido casada há muito tempo atrás, mas que, depois de pegar o marido a traindo, perdeu a cabeça e começou a fazer aquilo que fazia. Filhos? Nenhum, e inclusive já tinha abortado duas vezes. Apesar de isso ser legalizado na Itália desde 1978, nunca esperaria ouvir isso de alguém que conheci há 15 minutos...

Depois de umas fotos e mais um pouco de conversa, agora fiada, ela se levantou e foi para mais um bar. E aí, um tempo depois, me toquei que ninguém a havia dado dinheiro, e nem ela a alguém pediu.

Eu, Pietro e Melania no Barazzo Bar

Bom, essa foi só uma das noites de Bologna, logo conto mais da Itália!!! 

Beijos 
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