quarta-feira, 23 de julho de 2014

O bar e o casamento: Veja Campinas Comer & Beber 2014/2015

Em todo casamento o noivo fica esperando no altar. Ninguém sabe o que se passa na cabeça dele no momento em que ele escuta as primeiras notas da Marcha Nupcial e, meio segundo depois, vê a noiva entrando pela igreja a lentos passos, amparada pelo pai. Mas eu acho que eu sei o que esses noivos sentem... 

Bem, pelo menos é assim que eu me sinto toda vez que vejo meu prato chegando à mesa. A música é o ruído que todo bom boteco tem de gente falando, discutindo, e aquele balbucio dos que se lamentam, já bêbados; o garçom, como não poderia deixar de ser, é o anfitrião querido que, com muita cautela, traz aquele que em poucos momentos já será um prato descoberto, totalmente explorado. Apesar dos nossos sentidos captarem o que se passa ao redor, é óbvio que todas as atenções estão voltadas para essa que é a estrela da noite, a receita que, borbulhante e encantadoramente cheirosa chega à mesa. Não há discussões. Nessa hora, até o mais descrente dos comensais reza uma ave maria com o fervor de um papa num domingo na praça São Pedro, e agradece por ter sido convidado para aquele festim (o bar e o casamento). 

O que eu sinto quando vejo aquela cervejinha gelada na mesa é quase a mesma coisa! Acho que foi por isso que o pessoal da Veja Campinas me convidou para fazer parte do júri da Veja Campinas Comer & Beber 2014/2015 na categoria Bares!

Esses foram meus escolhidos:

Veja Campinas Comer & Beber 2014/2015






City Bar
Votei no City na categoria "Para paquerar". Sinceramente, nunca "paquerei" num boteco. Acho até meio estranho ligar uma coisa à outra.. gosto de ir para ficar com a galera, já que "tem sempre aquele que toma mais uma no bar, tem sempre um outro que vai direitinho pro lar" e é isso que eu gosto de ver. Mas, de todos os botecos que eu frequento, acho que o que mais dá espaço para a paquera é o City Bar, pelo pessoal ficar de pé e ser sempre bastante cheio. Ahh, as sextas-feiras... Até Xico Sá já falou de lá com saudosismo!

Veja Campinas Comer & Beber 2014/2015Veja Campinas Comer & Beber 2014/2015


Flor do Minho 
Tradicionalíssimo, rola um samba lá de sexta e sábado que é demais. Do tipo que não é tão comum de achar em Campinas. Eu gosto muito da Casa São Jorge também, mas ultimamente essa coisa de ficar irritada com o volume do som tem começado a aparecer e aí acabei mudando um pouco de ares... (quem ganhou na categoria Música ao vivo foi a Casa São Jorge).

Casa São Jorge 
Falando nela... Geralmente bebo mesmo é cerveja, mas vez ou outra me dá vontade de tomar caipirinha! E sempre quando tô em um lugar e quero tomar uma caipirinha, lembro da que fazem na Casa São Jorge e desejo que o som lá fosse mais baixo para que eu pudesse voltar a tomar elas! ahahha (quem ganhou na categoria carta de drinques foi o Grainne's)

Andanças Gourmet Bar 
Fui a única a votar nele (quen quen quen...) mas tenho boas razões. Já fui nos outros dois que também receberam votos nessa categoria e até gosto, mas eu me identifico mais com o Andanças. O preço é melhor - principalmente para essa recém graduada que vos escreve -, o ambiente é bastante descontraído e é lá que a maioria dos meus amigos gostava de ir na época em que eu mais o frequentava. E comer e beber tem dessas coisas: é sempre subjetivo. Quem nunca se pegou com vontade de comer um prato, por causa da lembrança que ele trazia? (e aqui nem digo da lembrança do gosto, mas aquela memória afetiva que a comida sempre nos traz...). O preço até pode ser uma boa justificativa, mas não é a mais forte, eu sei. Mas nessas horas de escolher onde comer e beber, no fundo, sempre acho que o que vale é a companhia. Então, por mais que eu queira conhecer vários lugares (o que eu eventualmente acabo fazendo), prefiro aproveitar uma sexta-feira para ir naquele bar onde eu sei que todo mundo vai tá reunido. E é isso que o Andanças significa para mim: estar com os amigos. (quem ganhou na categoria cata de cervejas foi o Nosso Bar - super merecido também!)

Rei do Joelho 
Se para mim o Andanças significa estar com os amigos, o Rei do Joelho significa estar com a comida que eu mais gosto e a cerveja mais gelada da cidade! Fácil assim. Por isso votei nele na categoria Cozinha e Boteco. A repetição foi digna. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de carne de porco e de joeho, em especial. Esse prato disputa com a feijoada o pódio do meu coração e estômago. Por isso, quando penso num bar, nem tem muito o que "pensar", ahah. Meu primeiro impulso sempre é querer ir para o Rei do Joelho, mas minha "sorte" é que ele fecha relativamente cedo, o que sempre me dá tempo livre para ir para outros bares. Além de pela comida, uma razão muito forte de me fazer gostar tanto de lá é que o lugar passa um sentimento de "tô na praia". Óbvio que falta o mar, mas eu me sinto tão a vontade que é quase aquela coisa de tá com o pé na areia, sabe? Bom, o pessoal de lá tá super de parabéns pelo prêmio! Fiquei muito feliz quando soube que eles tinham ganhado como melhor boteco!  :)))) O pessoal do Cumbuca também votou neles (e já que sigo eles também faz um tempão), fiquei ainda mais contente com o resultado!

Veja Campinas Comer & Beber 2014/2015
Quem me conhece sabe, Rei do Joelho, rei da minha vida! hahaha 









E aí, em quem vocês votariam para cada categoria??? Gostaram dos resultados? 


Em tempo: valeu pessoal da Veja! Adorei participar :DDD

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Samba na Pedra do Sal, no Rio de Janeiro

Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha ido lá para ver: a Pedra do Sal, no Rio de Janeiro. Eu achava que a Lapa era demais (ainda acho), mas agora quando eu for pra Cidade Maravilhosa, ela terá concorrência pelo menos até a meia noite - mais ou menos a hora em que as coisas acabam lá pela Pedra do Sal! 

Cheguei lá numa sexta-feira, umas 22h... Imagina uma encruzilhada lotaaada de gente, um grupo tocando aqueles sambões que até quem não curte samba, se rende?? Então! Foi bem no meio da Copa do Mundo, então tava lotado de turistas, mas também de muita gente que é do Rio - e que na verdade, era a grande maioria lá! 



Falando nisso, é muito comum que quem esteja viajando sempre queira conhecer coisas que quem mora na cidade faz. E a Pedra do Sal é um dos lugares que é TÃO brasileiro, que as vezes nem nos damos conta. Acontece que o samba que acontece hoje lá, vem acontecendo desde quando esse pedaço do RJ era conhecido como Pequena África, onde os escravos se concentravam. Na verdade, se trata de um período que mudaria a história do Brasil todo. 

Nessa região, que fica próxima ao porto da cidade, é o lugar onde os escravos libertos foram morar. Mas não foi ao acaso: ali estavam concentrados vários terreiros de umbanda e candomblé, religiões intimamente ligadas aos antepassados africanos desses ex-escravos. Escravos que vieram da Bahia para o Rio logo após o fim da escravidão também se alojaram por ali. Ou seja, o círculo social de todos os negros acontecia nessa região e, de batuque em batuque, tocando muito pandeiro, violão, cavaquinho e mão, esses negros é que deram origem ao samba urbano carioca, precursor do que conhecemos hoje. Não é a toa que Vinicius de Moraes se derretia tanto pela história desse povo! 

O RJ passou por uma grande transformação no início do século 20, devido a muitas doenças que se proliferaram. A revitalização foi bem prática: destruir uma área de aproximadamente 100 mil m², entre a rua Senador Eusébio, a rua Visconde de Itaúna e o canal do Mangue para dar origem a que conhecemos hoje por Avenida Atlântica. 

Hoje, esse espaço da Pedra do Sal é Patrimônio Histórico e Religioso do Rio de Janeiro e tem uma importância imensa! Imagina só: você tá dançando e ouvindo samba em um lugar que conta uma história que foi apagada de outros pontos da cidade… sem contar que é bom demais!!! Além disso, esse foi o bairro que criou a ideia que temos hoje de favela (vale a ida na exposição do Valongo a Favela: Imaginário e Periferia, que tá rolando agora no Museu de Arte do Rio).

Ah, mas e o nome? bom, o nome vem porque antes aquilo era bem próximo do mar, ou melhor, o mar é que estava próximo dele. E dali eles embarcavam…. sal! 

Para quem quiser saber quando vai ter o que por lá, é só acompanhar pelo face do pessoal PEDRA DO SAL. BTW, parabéns cariocas por terem espaços assim! (aqui em SP a única coisa que eu já vi parecida foi a Vila Madalena durante a Copa... e já acabou).

Se alguém tiver interesse em saber mais sobre essa época do Rio de Janeiro, indico os livros A Busca da África no Candomblé, da Stefania Capone, e As Religiões no Rio, do João do Rio. Sim, tem muito outros, mas esses foram os que eu li ahhaha!

Beijos!!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Cachaça de Paraty: Maria Izabel

Eu gosto de cachaça, de gostar mesmo. Mas tenho que confessar que queria conhecer o alambique da Maria Izabel, antes de tudo, porque queria conhecer a Maria da Maria Izabel, sabe? E, claro, depois a cachaça dela. 

Apesar dela ter avisado que deveríamos ligar antes de aparecer por lá, decidimos ir no domingo que estávamos em Paraty, antes de voltar para Campinas, sem avisar mesmo. 

Paraty tem cerca de sete alambiques e, dentre todos eles, o único que não tem nenhuma sinalização para chegar, é o da Maria Izabel. O mistério já começa daí. Tínhamos visitado quatro alambiques no sábado, e deixamos dois para o domingo. Quando estávamos indo para o da Maria Izabel, tínhamos um mapa, mas não achamos a saída. A gente já suspeitava que ela não colocasse nenhuma sinalização pela estrada. Um senhorzinho ajudou e logo achamos a saída certa, e, depois de uns cinco minutos, chegamos na porteira do sítio dela. Que lugar lindo. 

Estacionamos e fomos entrando. A primeira cena que vimos foi essa:

cachaça Maria Izabel Paraty

A Maria que eu queria conhecer estava realmente ali, tal como tinha visto antes na internet: descalça. Engraçado que a gente repare tanto nisso e que acabe achando tão exótico o que, na realidade, é tão natural. 

Pegamos a metade da explicação que ela estava dando para os três casais que estavam lá. Muito, muito calma ela explicava como cada cachaça era feita, a diferença entre cada um dos rótulos, tempo de armazenamento e tipo de madeira. Engraçado que essa visita é grátis e todo mundo pode provar as cachaças - e ela faz questão que as pessoas experimentem! Super atenciosa, ela respondia todas as perguntas com a maior paciência, batia papo... tranquila, tranquila! 

Enfim, a Maria Izabel era tudo aquilo mesmo que eu pensava e as cachaças dela ainda mais! 

cachaça Maria Izabel Paraty

Ela produz quatro tipos de cachaça:

 - a branca, armazenada em tonéis de jequitibá; 
 - a envelhecida, armazenada por no mínimo 12 meses em barris de carvalho; 
 - a Cachaça Azulada, essa aqui só dá para comprar lá no alambique dela por motivos de: no processo de destilação, são colocadas folhas de mexerica no caldo da cana já fermentado. O problema desse processo é que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) (ainda) não tem como verificar a procedência das folhas usadas (oh céus). Dessa maneira, não consegue certificar que ali estão sendo utilizadas as boas práticas de fabricação. Mas essa cachaça é um espetáculo! Você dificilmente encontrará fora de Paraty, até porque, essa é uma das “especialidades” da cidade! 
 - a última é a Reserva Especial, envelhecida em barris de carvalho por mais de dois anos! 

cachaça Maria Izabel Paraty

Daí beleza, a pessoa mora num sítio num cantinho lá de Paraty, num finzinho de mundo. E aí, você vai fuçar e descobre que quem criou o rótulo da garrafa dela foi ninguém mais, ninguém menos que o mesmo cara que fez a capa dos livros da série Harry Potter, Jeff Fisher! 

cachaça Maria Izabel Paraty
Apesar do Lula também curtir uma caninha, foi o Fernando Henrique Cardoso que, em 2001, assinou um decreto que determinava que uma bebida só seria juridicamente reconhecida como "cachaça" se fosse o destilado feito a partir do suco da cana-de-açúcar E produzido dentro do território brasileiro. Então, sim! Se é cachaça, obrigatoriamente é brasileira <3 

Para saber mais: www.mariaizabel.com.br

domingo, 29 de junho de 2014

Um homem precisa provar. Por sua conta, não por meio de imagens

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu." 

Sabe essa frase? Então, digamos que ela me motivou a fazer o que eu fiz. Imagina a cena: Lapa, Rio de Janeiro bombando durante a Copa, terceiro bar da noite e contando. Todo mundo já enxergando azim. 

Chegamos na Casa da Cachaça, no meio de todo o movimento da Mem de Sá. O plano era pedir pela tradicional e imperdível cachaça de gengibre. Chegamos, pedimos... enquanto nós quatro esperávamos pela dose, alguém disse rindo, OLHA SÓ, CACHAÇA DE FEIJOADA. 

Não pedi, mas fiquei com aquilo na cabeça né hahaha Pensei: adoro cachaça, adoro feijoada!

Fomos para a calçada e quando voltei para pegar mais uma dose, achei que devia provar, porque, você sabe... "um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias" HAHAHA comecei a perguntar para o pessoal que trabalha lá quem já tinha provado. Perguntei pra três caras, nenhum deles. Aí uma menina que tava no balcão disse que já tinha tomado aquela e a de alho. Já fazia tempo que tinha passado da meia noite, então eu tava muito corajosa... mandei trazer! oh céus. Acho que pela minha coragem, a menina me deu como "prêmio" uma dose da cachaça de alho também. 

rio de janeiro cachaça



A moça me trouxe as duas doses e eu ficava adiando começar a tomar com a desculpa de que tinha que explicar para dois portugueses que tavam ali do lado a diferença entre cachaça e aguardente. Mas, no final das contas, tomei.

Olha, não foi legal, não HAHAHA. É bem óbvio que eles só deixam essas garrafas lá para quem tá muito bêbado ou com coragem...  Como diz uma amiga minha "Não GOSTO de tudo que você come, mas sou fã número um do PROVAR!", tô mantendo esse raciocínio :) 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Para se sentir no Rio de Janeiro: moela

Hoje é segunda-feira, mas acho que fiquei mal acostumada por todas as comidas de bar que comi no sábado, que já estou com saudades. Dos petiscos e também das férias, do carnaval, do Rio de Janeiro... que foi exatamente onde eu comi moela pela primeira vez. Acho engraçado que a gente só entende que não manja de nada, quando acaba de conhecer uma coisa nova. Eu pensava que tava sabendo de tudo porque comia joelho de porco, daí, PAN, fui pro Rio passar o carnaval e fui apresentada à moela. IN YOUR FACE, GIU! 

Em minha defesa tenho a dizer que esse prato não é devidamente valorizado e, se eu nunca tinha provado, foi por falta de conhecer. Como podemos não querer algo que nem sabemos existir? Pois bem. Acontece que eu também gosto de estar num lugar e conhecer um prato novo que, de preferência, eu consiga fazer quando estiver em casa. Porque aí, quando eu estiver em casa e fizer aquele prato, vou lembrar do lugar onde eu comi ele pela primeira vez e das pessoas que estavam comigo. Afinal, comer é sempre sobre partilhar. (menos quando eu tô com fome demais e não quero dividir RERE)

Por isso, com muita honra, trago aqui a receita da Moela da Camille e do Obama que, cada vez que eu faço, dou uma adaptada de acordo com a situação da geladeira! hahaha Uma das melhores coisas sobre a moela é o preço dela. Da última vez que comprei, em Campinas, paguei R$6 por um quilo e meio! Delícia. Vamos ao prato:

os ingredientes:
1 kg de moela 
meio pimentão verde
meio pimentão vermelho 
2 tomates 
1/4 de cebola 
1 dente de alho 
bacon (a vontssss yessssss)
calabresa (opcional)
salsinha 
cebolinha
coentro (opcional)
batata (opcional)
óleo 

1- Comece limpando a moela. O objetivo é tirar essas partes amarelas que aparecem aqui nas fotos. Nem precisa de faca, só a força da água e ir puxando com a mão já é suficiente. Mas é importante tirar tudo! A moela é como se fosse o estômago do frango e essas partes amarelas são restos de ração/milho (ou qualquer outra coisa que não precisamos saber), ou seja, LIMPA ISSO! 

moela receita Rio de Janeiro
moela receita Rio de Janeiro
2 - Depois que está limpo, colocar na panela de pressão por uns 20 minutos. 

moela receita Rio de Janeiro
3 - Aí, enquanto a carne cozinha, você vai cortando os outros ingredientes, pimentões, tomates, cebola, bacon, calabresa… e tomando cerveja.

moela receita Rio de Janeiro
moela receita Rio de Janeiro

moela receita Rio de Janeiro


moela receita Rio de Janeiro

 4 - Eu coloco coentro na receita, mas tem gente que não gosta e, mesmo quem gosta, tem que tomar cuidado porque ele tem um sabor bem pronunciado, então se colocar demais, fica difícil depois, hehe 

moela receita Rio de Janeiro



moela receita Rio de Janeiro

5 - Quando os vinte minutos da pressão terminarem, tire a moela e reserve a água, metade dela vai servir para mais tarde.
6 - Coloque óleo em uma panela e refogue o alho, cebola, bacon, calabresa (nhami)…. depois de um pouquinho, jogue o tomate, pimentão, batata… quando tiver aquele cheiro maravilhoso, comece o próximo passo:
7 - Joque a moela de volta e dê uma misturada, e um pouquinho depois, coloque um pouco daquela água do cozimento, o suficiente para cobrir todos os ingredientes.

moela receita Rio de Janeiro
moela receita Rio de Janeiro
 8 - Deixe tudo cozinhar por 20, 30 minutos e quando você não conseguir mais sentir o cheiro sem salivar, é porque tudo está pronto.
tcharammmm:

moela receita Rio de Janeiro
Para acompanhar, caipirinha (de cachaça, né) de laranja e pãozinho. 

EEEE, só comer agora :) 

domingo, 4 de maio de 2014

Comida di Buteco de Campinas: peregrinação pelos bares

Eeeee beleza, mais uma edição do comida di buteco se encerra hoje. Esse ano eu queria ir no máximo de bares que conseguisse e, como pouco disciplinada que sou, deixei tudo para a última hora, mas pelo menos consegui bater meu recorde. Dos 24 bares, fui em 8. Ah, um terço vai... 

Diferente do ano passado, os petiscos não tinham que seguir um tema. Acho que isso empobreceu o concurso, porque vários bares usaram algum prato que já estava no cardápio, ficou meio sem graça. Perguntei para o dono de um dos bares e ele disse que o pessoal do Comida di Buteco tinha resolvido dessa maneira porque em 2013, quando o tema era mandioca, eles acharam que o público ficou um pouco enjoado de comer pratos com mandioca em todo bar. Anyway.

Bom, uma coisa que não é todo mundo que sabe, é que para manter a qualidade dos botecos que participam do Comida di Buteco, a própria cúpula do concurso é que convida cada bar. Os estabelecimentos não podem se inscrever. Um dos critérios que o bar deve preencher é ter a cerveja como bebida principal. Tanto que nas fichas de votação, dentre as perguntas, estava "como vc avalia a temperatura da cerveja?". Bem pensado!

Ontem era o último sábado em que o concurso ia tá rolando, então decidimos fazer uma peregrinação e, com muita fé, conseguimos ir a cinco bares:

Rei do Joelho 

Eu ADORO ir lá, mas achei meio sem graça eles não terem criado nenhum prato novo, mas só ter reutilizado o pastel de joelho de porco, por mais saboroso e gostoso que ele seja.

Quem me conhece sabe que esse é o bar que eu mais gosto de ir e ao qual eu mais sou fiel, mas gostaria de provar algo diferente, já que se tratava do Comida di Buteco. Mas, mesmo assim, palmas para essa maravilha:

comida di buteco 2014
Pastel de joelho de porco com catupiry
Como a gente já estávamos lá mesmo, resolvemos pedir o bolovo deles, que é sensacional também. Essa outra maravilha dispensa explicações, enfim, nem tem muito o que falar, são só suspiros:

comida di buteco 2014











Rei do Joelho
Rua Osvaldo Cruz, 137 - Taquaral 
Tel: 19 3255-2017
Abre ter/sex 11h-23h30, sáb 11h-16h 

Bar do Nicola 

O segundo lugar da maratoma foi o Bar do Nicola. Nunca tinha ido antes e acho legal que o concurso tenha motivado a ida. Sempre via o bar cheio mas nunca tinha calhado de parar lá.  O bar estava bem cheio às 14h30, hora em que chegamos... pegamos uma das duas únicas mesas que ainda estavam vazias e logo o lugar ficou cheio de gente na rua, esperando pelas mesas. Dos bares que eu fui, esse é o que menos tem público, aparência e preço de boteco. Mas achei um lugar legal, tem cervejas importadas, um balcãozão para socializar e diz que lá sempre bomba no happy hour. Ah, e o atendimento é mesmo espetacular. Tem muitos garçons e eles são super solícitos. 

Mas quando a gente repara tanto em outras coisas é sinal de que a comida não surpreendeu. Não sei se eles já tinham o bolinho no cardápio, mas achei apenas ok. Assim, estava gostoso, mas não vou me lembrar muito dele daqui uns meses, ou mesmo querer voltar no bar para provar ESSE petisco em especial, voltaria para conhecer mais do cardápio, sim. Acho que faltou um fator desejo, talvez um bacon hahaha 

comida di buteco 2014
Petisco Brazuca: bolinhos de carne recheados com cream cheese e pimenta biquinho
comida di buteco 2014
 Bar do Nicola
Rua Dona Maria Umbelina Couto, 644, Taquaral 
Tel: 19 3305-9155
Abre ter/sex 17h-20h, sáb 12h-20h. 


Botequim da Zepha 

O botequim da Zepha foi nosso pit stop. Estávamos em quatro pessoas e tínhamos tomado exatas seis garrafas em cada um dos dois bares anteriores. Então todo mundo estava começando a ficar com o farol baixo.... Chegamos na Zepha, o garçom logo avisou que o petisco ia demorar um pouquinho para ficar pronto, porque na noite anterior tinha saído mais do que eles esperavam, e não tinha dado tempo de preparar para o sábado. Tudo bem. A cerveja estava bem gelada, o papo estava bom... fomos tomando devagarinho, intercalando com nossa amiga:

comida di buteco 2014
Adicionar legenda


Essa cachaça é super saborosa, envelhecida em quatro tipos diferentes de madeira, como diz ali no rótulo: umburana, itiuba, louro-canela e bálsamo. Não ardia nada a garganta, boa para quem tem medo da cachaça descer rasgando, hehehe. 

Passou mais um tempo e nada do petisco... fomos de cachacinha, cerveja e história: 

comida di buteco 2014
Chegamos ainda era dia, quando o petisco chegou, tinha recém escurecido. Mas aqui devo dizer: fomos surpreendidos. Valeu toda a espera! Estávamos procurando um petisco que nos fizesse pensar "Ah, aquele Comida di Buteco de 2014..." e esse era o caso! Tenho que dizer que essa foto não faz jus à delícia que o prato estava. Se tivesse que definir, diria que é um vinagrete que leva lascas de bacalhau ao invés de tomate. Muito saboroso messssmo. 

comida di buteco 2014
Punhetela: porção de lascas de bacalhau com azeitonas verdes, cebola e cheiro verde.
O rapaz que atendeu a gente disse que o correto seria o bacalhau ficar curtindo com a cebola e o azeite por um período mais longo, mas que pela grande procura e tudo mais, eles não estavam dando conta. O bom é que eu nunca tinha ido na Zepha, o ruim é que esse prato já estava no cardápio. Mas quando o negócio é bom, ele é e pronto. Esse foi o prato que fisgou todo mundo, sucesso da noite. 

Botequim da Zepha
Rua Uruguaiana, 1266 - Bosque
Tel: 19 9 9200-6639
Abre ter/sex 17h-22h, sáb 15h-22h


O Bar da Árvore - Maple Beer 

Como estávamos em quatro pessoas, cada uma tinha escolhido um bar e o último era o meu escolhido, o Bar da Árvore. Ele fica bem escondidinho numa rua residencial e é bem aconchegante. Dentro tem uma jukebox e tocava rock quando chegamos. 
O petisco deles era uma torradinha com rosbife caseiro, rúcula, gorgonzola e tomate. Achei que o gorgonzola pesou, talvez ficasse melhor sem. Mas era bem fresco, gostoso e simples.

comida di buteco 2014

Esse deveria ser nosso último bar, mas como comentamos em todos eles que estávamos fazendo uma maratona, já que sábado era o penúltimo dia do Comida di Buteco, tanto o dono do Bar da Árvore, quanto o pessoal do Botequim da Zepha, disseram que deveríamos ir no Quiosque da Horta. Estávamos recuperados e em plena forma, então resolvemos seguir as recomendações, e, eis que...

O Bar da Árvore - Maple Beer
Rua Olímpia, 50 - Chácara da Barra 
Tel: 19 9 8880-4122
Abre ter/sáb 16h30-22h

Quiosque da Horta

Bom! Essa também foi uma bela surpresa. Esse bar é, literalmente, um quiosque que vendia os legumes da horta que tem no terreno da calçada onde ele está. E, gente! Tem redes!! As mesas ficam embaixo das árvores ao longo da calçada, e as redes ficam lá, te esperando... A gente chegou de noite, mas deve ser uma delícia ficar lá sabadão a tarde, aquela preguiça combinada com sombra, cerveja fresca e esse petisco que o Rodrigo, dono do bar, criou: beringela recheada.

comida di buteco 2014



De uma certa forma, era até desleal com os dois últimos bares. Porque o bacalhau que comemos foi, realmente, imbatível. E sei que esse petisco é o que vai me fazer lembrar desse Comida di Buteco... mas é a vida. Na pior das hipóteses, é sempre legal para conhecer novos bares e pessoas. 

O Quiosque da Horta funciona faz apenas dois anos e, logo já no segundo ano de labuta, foi convidado para participar do concurso. Isso significa alguma coisa, né? Apesar da beringela não ter sido nosso petisco preferido, comemos três porções! Já era o último bar, então não precisamos ficar com receio de não caber tudo antes de terminar a peregrinação! Valeu muito a visita! 

Quiosque da Horta
Rua Doutor José Ferreira de Camargo, 1221
Tel: 19 3291-3248
Abre seg/sáb 12h-21h.

Além desses cinco botecos, eu fui em outros três participantes do Comida di Buteco, o Cultura de Bar, o Bar Preste Atenção e o Bar do Bigode e da Tia Eli. Com um salve para o bolinho de carne do Cultura de Bar <3 <3 <3. 
Bom, é isso. Estou ansiosa para saber quem foi o vencedor e já espero pela próxima edição. Ou qualquer outro concurso/orgia gastronômica! hehehe

Beijos
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